Recusa à escola pode ser sinal de transtorno
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quarta-feira, 06 de junho de 2012
Fernanda Carreira <br>Reportagem Local 
Chega a hora de ir à escola e a criança começa a ficar nervosa, chorar e relutar para sair de perto dos pais. Isso pode parecer birra para você? Se sua resposta foi sim. Fique atento, em alguns casos, o comportamento não caracteriza simplesmente um manha. Seu filho pode estar sofrendo com um problema bem mais grave e você nem desconfia: o Transtorno de Ansiedade de Separação.
''Problemas de recusa em ir para escola são comuns, mas se a criança já passou pelo período de adaptação e começou a apresentar esse comportamento, o ideal é investigar. Essa tem sido uma das razões mais comuns pela busca da psicoterapia infantil. Pelo menos uma em cada duas crianças que atendo no consultório não querem ir à escola e os pais não sabem lidar com a situação'', alerta a psicóloga, de Londrina, Natalia Frazon de Andrade.
Segundo a psicóloga, diferentemente da birra, que se caracteriza por gritos choro e reclamações, relacionados à falta de limites que os pais devem dar às crianças, essa desordem é considerada um transtorno psicológico sério e se distingue pela apresentação de sintomas físicos como dores de cabeça, dores abdominais, náusea ou vômito, associado a um medo exagerado e intenso da criança em se afastar de um dos pais.
''Dessa forma, ela se engaja em comportamentos para evitar que isso aconteça, como, por exemplo, não querer ir à escola, não querer posar na casa de um coleguinha ou parente, ter medo de dormir sozinho entre outros'', salienta, destacando que se não tratada, a confusão psicológica pode prejudicar decisivamente na realização das atividades diárias da criança e ainda levar a um quadro de Síndrome do Pânico no futuro.
A especialista detalha que como qualquer outra confusão psicológica, a causa do transtorno está na interação entre fatores biológicos e ambientais. ''Biologicamente, a criança pode ter predisposição genética para a ansiedade, e se ela estiver em contato com ambiente que favoreça e mantenha os comportamentos ansiosos, o transtorno tem mais possibilidades de se desenvolver'', completa.
Segundo ela, quando a criança convive em ambientes familiares, nos quais os pais demonstram preocupações excessivas com doenças, assaltos, desastres ou mesmos acontecimentos simples do cotidiano ou costumam controlar o comportamento de seus filhos com base em ameaças imaginárias (citando o bicho-papão, por exemplo), a criança está muito mais predisposta a reações de ansiedade a perigos (reais ou imaginários), demandando, assim, ainda mais a figura dos pais para protegê-la.
Tratamento gradual
Para a psicóloga Natalia Frazon de Andrade, embora os pais consigam identificar a mudança de comportamento do filho, é pouco provável que eles saibam classificar o real motivo da criança não querer ir à escola (pirraça, transtorno psicológico ou Bullying), pois para isso se faz necessária uma avaliação de vários aspectos relacionados à escola, família e comportamentos da criança, que somente um profissional conseguirá observar.
''O ideal é procurar um profissional para realizar a avaliação e, caso seja necessário, uma intervenção adequada'', enfatiza.''Ou seja, a criança deve voltar à escola de maneira gradual; a família deve estimular comportamentos de autonomia de seus filhos e o psicólogo deve conduzir todo este processo, auxiliando a criança a lidar com seus sentimentos.''


