O governo brasileiro precisa aumentar os recursos destinados à perícia técnica. A afirmação foi feita pelo adido do FBI na Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Richard Cavalieros, que esteve ontem, em Londrina, ministrando palestra durante o XVII Congresso Nacional de Criminalística. O ex-oficial militar acredita que os peritos brasileiros estão bem preparados para executar suas funções. O problema seria a precariedade de materiais e tecnologia à disposição dos institutos de criminalística.
Cavalieros esclareceu que os peritos brasileiros não deixam nada a desejar em relação aos americanos, na questão do conhecimento. A principal diferença seria exatamente a falta de investimentos no setor. Segundo ele, nos Estados Unidos, os peritos contam com equipamentos avançados que lhes permitem chegar à resolução de casos complexos em um tempo considerado curto, ao contrário dos brasileiros que precisam enfrentar várias barreiras estruturais, que elevam o período de investigação.
De acordo com o adido, mesmo com o governo americano investindo mais que o brasileiro, uma similaridade entre os dois países é a quantidade insuficiente de peritos atuando. ''Praticamente todas investigações nos Estados Unidos são amparadas pela perícia. É um volume muito grande de serviço para a quantidade de peritos'', observou.
Durante sua palestra, Cavalieros abordou exatamente um caso complexo que foi resolvido em pouco tempo, o atentado terrorista a um prédio federal em Oklahoma, em abril de 1995, que deixou um saldo de 168 mortos e centenas de feridos, na ocasião o maior da história do país. Os responsáveis pelo atentado foram identificados poucos dias após a tragédia. Ele disse ter escolhido esse tema por estar mais próximo à realidade brasileira.
Em Oklahoma, o principal suspeito Timothy McVeigh, utilizou um caminhão cheio de explosivos para atingir o prédio. O adido lembrou que, há poucos meses, a polícia de São Paulo encontrou um carro cheio de explosivos abandonado em uma rodovia. Durante a investigação, ficou constatado que o carro seria deixado nas proximidades da Bolsa de Valores. ''Os estragos poderiam ser os mesmos'', alertou.
Cavalieros esclareceu que a tecnologia à disposição de peritos e investigadores foi fundamental para que os articuladores do atentado fossem presos. Ao todo foram 43 mil pistas investigadas ao longo do processo, um número inimaginável para os padrões da perícia brasileira.
O adido ressaltou que algo fundamental para a identificação dos suspeitos foi o retrato falado feito por peritos do FBI. Dois dias após o atentado, os policiais sabiam que Timothy McVeigh estava envolvido no crime. Durante as investigações, os policiais chegaram até Terry Nichols, amigo de McVeigh, que ajudou na execução do plano. Seis anos após o crime, foi cumprida a sentença de pena de morte contra McVeigh. Já Nichols foi condenado à pena perpétua.

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