Lino Ramos
Especial para a Folha
A liberação de recursos para a Cadeia Pública de Londrina não entrou na pauta da reunião do Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado (Crafe), realizada anteontem, em Curitiba. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da Secretaria de Fazenda. O Crafe tem a participação dos secretários de Fazenda, Planejamento, Governo e Administração e define os investimentos considerados prioritários pelo governo estadual.
Pelo cronograma inicial, a cadeia seria entregue no mês que vem, mas os trabalhos estão praticamente parados e na fase inicial. Em janeiro, a Sial Construções, de Cascavel (responsável pela obra), promoveu demissão em massa e deixou apenas seis operários no canteiro porque o governo do Estado não liberou as parcelas do contrato.
O orçamento de 98 previa R$ 2,8 milhões para a construção e até maio a empresa havia recebido R$ 130 mil. Enquanto dura o impasse, a população carcerária de Londrina chega próximo ao dobro da capacidade dos distritos policiais (ver matéria nesta página).
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Jorge Coimbra, disse que irá reunir os membros da entidade para discutir o problema da cadeia. No dia 9 de junho, Coimbra pediu uma audiência com a vice-governadora Emília Belinati para discutir o assunto, mas até ontem não havia recebido uma resposta.
O promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo César Tavares, espera uma definição sobre as verbas da cadeia para esta primeira quinzena de julho. Ele garantiu que irá acionar judicialmente o Estado se as obras não forem agilizadas. O secretário estadual de Obras, Augusto Canto Neto, prometeu dar uma resposta ao Ministério Público no início deste mês.
As obras da cadeia começaram em agosto de 98 e só estiveram em ritmo normal durante um mês, quando estavam trabalhando 68 operários, além de eletricistas e encanadores contratados através de empreiteiras. ‘‘Neste ano não há mais jeito de acabar a cadeia. Mesmo se voltar ao ritmo normal, só daqui a um ano’’, diz o mestre-de-obras, Antonio Cavalari.
Cavalari não esconde a insatisfação pessoal com essa situação. ‘‘Gostaria de ir para outra obra porque aqui não temos o que fazer. Estamos andando como tartarugas’’, lamenta. Pelo projeto original a cadeia terá 3.800 metros quadrados de área construída e 80 celas para abrigar 320 presos.
Segundo o mestre-de-obras, foram construídos apenas 150 pilares e iniciada uma laje. ‘‘Não temos o que fazer. Estamos andando como tartarugas.’’ Pelo projeto original a cadeia terá 3.800 metros quadrados de área construída e 80 celas para abrigar 320 presos.
O engenheiro responsável pela obra, Armando Hiroshi Nonose, não retornou as ligações feitas pela Folha. E o secretário estadual de Fazenda, Giovani Gionédis, que poderia falar sobre os recursos para a cadeia, estava em reunião ontem pela manhã. A assessoria do Secretário de Segurança Pública informou ontem que já foi levado à Fazenda o relatório sobre a necessidade da conclusão da obra.

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