Arapongas - Foi com o esforço e os recursos da própria comunidade que a Igreja Sagrado Coração de Jesus se ergueu. A paróquia começou como uma capela de madeira construída em 1938. Na década seguinte, em 1944, é que a capela passou à condição de paróquia, por isso seus 70 anos são celebrados pela comunidade católica neste ano. O historiador Gean Carlo Cereia, do Museu de História e Arte de Arapongas (MAHRA), conta que o padre alemão Emílio Kircher, que participou da fundação da colônia, em 1935, já que veio para o Norte do Paraná junto com os japoneses católicos, foi um dos grandes entusiastas da construção da capela e do desenvolvimento cultural da Colônia Esperança. Mas a construção da atual igreja, em alvenaria, foi obra dos franciscanos que assumiram a paróquia ainda em 1943. "O frei Graciano, que tinha uma visão futurista e contato artístico social muito grande em São Paulo, desenvolveu um espírito de cooperativismo entre os colonos e propôs que cada um deles doasse de 3% a 5% de sua colheita de café como donativos para a construção da igreja. Além de outras atividades promovidas para levantar recursos, como leilões com orquídeas desconhecidas na região", relata Cereia.
A igreja, construída no estilo barroco, foi finalizada em 1955. Graciano deixou a decoração a cargo do paulista Antônio Paim Vieira, azulejista naturalista que havia participado da Semana da Arte Moderna em São Paulo, em 1922. "Ele gostava de retratar a natureza e as pessoas do local onde trabalhava. Então, ele pediu fotos dos moradores e desenhou os anjos do altar com rostos de pessoas japonesas, loiras, morenas, enfim, da etnias que moravam aqui. E também aves arapongas que formavam nossa fauna. O trabalho dele deu um valor histórico e cultural ainda maior à paróquia", destaca o historiador, lembrando que a igreja é a única da região que mantém o badalar de três sinos, cada um com um tom específico. (D.P.)

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