Recursos devem melhorar atendimento
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Apucarana O repasse de R$ 103 milhões ao Paraná, anunciado recentemente pelo Ministério da Saúde (MS), vai contemplar hospitais do Norte do Estado e da Região Metropolitana de Londrina. A expectativa dos gestores das instituições é que o reforço deve contribuir para a melhora do atendimento. As unidades filantrópicas vão receber recursos de R$ 36 milhões por meio da Rede de Urgência e Emergência. Este montante será utilizado para qualificar e melhorar a estrutura das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e para a compra de equipamentos.
O Hospital da Providência, em Apucarana (Centro-Norte), espera receber R$ 3 milhões, que serão utilizados para a reestruturação do parque tecnológico, e mais R$ 300 mil mensais para custeio. "Com esses recursos podemos, por exemplo, contratar mais um médico e aumentar o nosso quadro funcional com mais técnicos de enfermagem, já que há uma defasagem destes profissionais", apontou o diretor-executivo Sergio Donizeti Felix.
Fundado em 1947, o Providência é o único hospital que atende os 17 municípios do Vale do Ivaí, com uma população de 350 mil habitantes. A unidade tem 152 leitos adultos, 111 de maternidade e 20 leitos de UTI, sendo dez adultas e dez neonatais. Realiza 7 mil atendimentos por mês, entre internações, entradas no pronto-socorro e cirurgias. "Esperamos receber em 2014 uma verba do governo estadual de R$ 1,5 milhão para a ampliação de mais dez leitos de UTI e R$ 250 mil para iniciarmos ainda este ano uma reforma no PS para melhorar o atendimento", frisou Felix.
Em Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), a diretoria do Hospital João de Freitas, o maior da cidade, preferiu não se manifestar sobre a utilização dos recursos, já que ainda não havia sido comunicada oficialmente sobre os repasses. De acordo com o MS, a unidade deve receber R$ 3 milhões referente aos aumento de 24% nos repasses do governo federal em relação os custos dos procedimentos de média e alta complexidades.
O hospital já concluiu um projeto para ampliação de 86 leitos de enfermaria e aguarda recursos para o início das obras. O João de Freitas realiza 6,2 mil atendimentos mensais, 90% deles pelo SUS, atende pacientes de 150 municípios e possui 250 leitos, sendo 43 de UTI.
Deficit
O Hospital São Rafael, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), aguarda repasse de R$ 1,9 milhão por ano para aquisição de equipamentos e melhoria na estrutura das UTIs e ainda mais R$ 2,3 milhões que seriam utilizados em custeio. "Hoje recebemos R$ 476,87 por uma diária em UTI. Com esse reajuste o repasse subirá para R$ 700. Não é o ideal, mas vai diminuir o nosso deficit, já que um dia de internação na UTI custa, em média, R$ 1 mil", relatou o diretor administrativo Antônio Carlos Ribeiro.
O São Rafael é referência para o atendimento do SUS para oito municípios da região. A unidade possui 66 leitos de enfermaria e dez de UTI e realiza mensalmente 300 internações, 100 partos, 350 cirurgias e 5,2 mil atendimentos.
O grande problema dos hospitais filantrópicos é que a tabela do SUS paga apenas 60% dos custos e o deficit tem que ser incorporado pelas unidades. "Por isso não é possível atender exclusivamente pelo SUS. Os convênios são essenciais para tentarmos equilibrar as contas", explicou Sergio Felix, do Providência. No hospital, 80% dos atendimentos são de pacientes do SUS.
A Santa Casa de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) também não recebeu informações detalhadas dos repasses, mas, segundo o MS, deve receber R$ 785 mil para despesas operacionais e R$ 2,9 milhões por meio da Rede de Urgência e Emergência. "Aguardamos as definições do Ministério para sabermos sobre a aplicação dos recursos, mas com certeza serão muito bem-vindos. Temos uma demanda muito grande já que ficamos próximos à rodovia PR-445 e recebemos muitos atendimentos de emergência, em virtude de acidentes", contou a assessora de Comunicação Eliana Broietti.
Além de Cambé, a Santa Casa recebe pacientes de Miraselva, Prado Ferreira, Bela Vista do Paraíso e Florestópolis. O hospital possui 70 leitos de enfermagem e pediatria e dez de UTI adulta.
Já o Hospital Cristo Rei, em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), deve receber R$ 1,2 milhão ao ano da Rede de Urgência e Emergência. A unidade possui 105 leitos de enfermaria, sendo 77 destinados ao SUS.
Para a Santa Casa de Arapongas estão previstos R$ 439 mil. A unidade atende 1,6 mil pacientes por mês e possui um quadro de 56 médicos e 81 leitos de enfermaria, sendo 57 direcionadas ao SUS. A reportagem tentou contato com a direção da instituição durante três dias, mas não obteve retorno.


