Miguel Cândido da Silva, de 88 anos, está frequentando aulas para aprender a ler a escrever pela primeira vez na vida. Falando com dificuldade, ele se orgulha: ''Já estou escrevendo''. Seu Miguel é o aluno mais velho do Projeto Alfabetizando Londrina. No outro extremo está Greice Kely da Silva Santos, 15 anos, a aluna mais nova. Ela sempre teve dificuldades em aprender, e chegou a ficar alguns anos sem estudar. Agora está animada, tanto que reacendeu o sonho de ser médica. ''Estou recuperando o tempo perdido.''
O mesmo sentimento é compartilhado pela maioria dos adultos que participam do projeto. Therezinha de Jesus Almeida, 65 anos, era, até alguns meses atrás, o que os especialistas chamam de analfabetos funcionais aquelas pessoas que tiveram no máximo quatro anos de estudo. No caso de Therezinha, o período passado nos bancos escolares não passou de um ano. ''Lia um pouco. Mas sempre tive vontade de voltar a estudar. Agora deu certo.'' Animada, ela viaja todos os dias de Ibiporã (14 km a leste de Londrina) para o Jardim Coliseu, onde frequenta as aulas, e diz se sentir ''com 20 anos''.
Para Maria Machado de Oliveira, 67 anos a volta à escola significa, antes de tudo, independência. ''Quero poder pegar ônibus sozinha, ler a bíblia. Estou com muita vontade, se Deus quiser vou conseguir.'' Ela faz parte do grupo que participa do projeto no Conjunto Ruy Virmond Carnasciali (Zona Norte).(S.L.)

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