Recuperadas, casas do Memorial são montadas
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Thiago Alonso<br> Equipe da Folha 
Quando esteve em Curitiba, em 1980, o Papa João Paulo II foi recebido dentro de uma pequena casa de madeira montada dentro do estádio Couto Peireira, em Curitiba. A casa, construída com toras de madeira de pinheiro encaixadas, fazia parte de uma colônia polonesa na região de Curitiba. Foi construída em 1888. Doada pela família Pianowski para receber o Papa viajante, a casa acabou se transformando em uma capela no bosque criado pelo governo estadual para prestar homenagem ao visitante ilustre. Assim surgiu o Bosque João Paulo II, também conhecido como Bosque do Papa, o primeiro na Capital destinado às etnias e reduto da história polonesa no Paraná.
A pequenina casa, agora capela, que resistiu ao tempo por 120 anos, recebeu sob seu teto um papa e se transformou em símbolo de um povo no Brasil, quase sucumbiu no final do ano passado. Cupim. Os insetos tomaram conta da madeira centenária e estavam corroendo parte da história. Quase tudo foi ao chão. O problema surgiu depois de uma reforma realizada há cerca de oito anos. Em vez de exterminar os cupins, a empresa que realizou o serviço não executou bem a reforma e fez com que a madeira retornasse necrosada e cheia de fungos.
A casa foi erguida, mas houve a necessidade de uma nova reforma. A recuperação das casas polonesas do Bosque do Papa começou em dezembro do ano passado e é um projeto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Nesta primeira etapa, estão sendo recuperadas a capela e Casa Furman. As duas obras estão orçadas em R$ 225.429,62. De acordo com o mestre-de-obras que toca a reforma, os dois espaços devem voltar a receber visitas em pouco mais de 30 dias. Há a previsão de que mais duas casas no Bosque sejam reformadas até o final do ano.
Para serem recuperadas, as duas casas foram desmontadas e a madeira levada para uma empresa que realiza a limpeza do cupim. Cerca de 20% do material original teve de ser substituído por madeira nova, segundo o mestre-de-obras Darci Osório, que comanda a reforma. O resto da madeira passou por uma secagem em estufa à 50 graus durante sete dias. O processo teve o objetivo de matar o cupim. Depois, toda a madeira foi untada por um material que evita novas invasões do inseto. "Depois da secagem, o chão ficou lotado de cupim. Agora está imunizado, não entra mais cupim", garante Osório. A previsão é de que o material dure mais 20 anos, com reforços periódicos de três em três anos.
A coordenadora do Bosque do Papa João Paulo II, Danuta Lisicki de Abreu, celebra a reforma e lembra da importância das construções para a história do Paraná. "É um grande presente histórico, arquitetônico e cultural. Além disso, é um espaço que mantém vivo o nome do Santo Papa", diz a polonesa, que vive no Brasil há 50 anos e cuida do Bosque do Papa desde de sua criação, nos anos 80.
Os visitantes do Bosque também se alegram com a reforma da capela e das outras construções do local. O trio de amigas Isabel Lengruber, Nilza Miyake e Helga Gieck têm o hábito de se reunir todas as segundas-feiras no parque para caminhar e conversar. Aproveitam para visitar a capela. "Estou sentido falta. Sempre venho caminhar e aproveito para rezar. É um lugar lindíssimo, com um cheiro gostoso de mandeira", diz Nilza. "É um local muito tranquilo, aconchegante. A gente sente uma paz muito grande lá dentro", emenda Helga.


