O fim do ano se aproxima e junto vem o desespero dos alunos que não estão com boas notas. O medo de ser obrigado a repetir o ano faz com que cada estudante busque um modo de recuperar o tempo perdido, aprender o conteúdo que deveria ter sido assimilado durante o ano e obter as notas que não apareceram nas provas anteriores.
Antes, uma das principais alternativas para reverter esse quadro era mudar de escola. Quando percebia que o ano estava ''perdido'', o estudante procurava uma outra escola onde o nível de exigência era menor. Mas uma modificação determinada pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação, que está em vigor desde 1996, tornou a recuperação escolar bem mais tranquila para os alunos. Um das consequências foi a diminuição das trocas de colégios para escapar da reprovação.
Hoje, o que está em vigor é a filosofia de recuperação paralela aos conteúdos. Isso significa que a escola não espera o final do ano para dar um exame para que o aluno tente salvar o ano. Ao contrário, as dificuldades são percebidas e sanadas no dia-a-dia, através de aulas de reforço, pesquisas, seminários, avaliações orais.
''A recuperação paralela é a retomada de conteúdo com uma metodologia diferente. A avaliação não precisa ser necessariamente baseada em provas. A nota é apenas uma consequência do trabalho'', ressalta a coordenadora da área pedagógica do Núcleo Regional de Educação (NRE), Creuza Barbosa.
Para a coordenadora da equipe de ensino do NRE, Ariane Fiumari, o resultado da mudança foi a diminuição do número de reprovações, que hoje ocorrem por excesso de faltas ou desinteresse dos alunos. ''A minha experiência como diretora mostra que depois da implantação da avaliação paralela, as retenções por conteúdo caíram'', destaca.
No ano passado, a Secretaria de Estado da Educação determinou a mudança da média nas escolas estaduais de 5 para 6. A medida teve como objetivo melhorar o rendimento dos estudantes, uma vez que um aproveitamento de 50% para aprovação era considerado baixo pelo próprio Núcleo.
Já nas escolas particulares, a nota mínima para aprovação é definida por cada instituição de ensino. O valor varia, na maior parte das vezes, entre 5,0 e 6,5 e é definido nas propostas pedagógicas, que precisam de aprovação do NRE.
Segundo o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Norte do Paraná (Sinep-NPR), Marco Antonio de Souza, a recuperação paralela de conteúdos também está presente no setor privado. Para ele, essa filosofia é uma evolução da educação, que não comporta mais atitudes do ''ensino arcaico, como a palmatória e o castigo com o aluno ajoelhado no milho.''
''A avaliação é mais ampla e leva em conta desde a conduta dos alunos dentro da escola, o uso de uniformes, a assiduidade, o cumprimento da entrega de trabalhos'', enumera. ''Essa mudança na educação trouxe benefícios porque a criança é colocada no centro do processo educacional'', conclui.

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