Recuperação movida pela fé
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terça-feira, 27 de novembro de 2012
Aline Vilalva <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - ''É por milagre que a minha esposa está viva.'' A declaração é do carteiro Jian Azevedo Costa, de 51 anos, que há quatro meses quase perdeu a companheira e mãe de seus dois filhos. A auxiliar odontológica Laeni Donizete de Lima Azevedo Costa, 46, foi baleada na cabeça em julho, no Conjunto Ouro Verde (zona norte de Londrina).
Na ocasião, Jian e Laeni visitavam um casal de amigos para convidá-lo a trabalhar no Encontro de Casais com Cristo (ECC) da igreja que frequentam. Foi quando dois garotos chegaram à residência pedindo água. O dono da casa deu uma garrafa e eles foram embora. ''Achei estranho porque a temperatura estava em cerca de 15 graus e já era quase oito horas da noite'', comenta Costa.
Cerca de 30 minutos depois, os dois casais estavam se despedindo na sala quando os adolescentes voltaram. O dono da casa foi atendê-los novamente e voltou correndo para dentro. ''Minha reação foi pular e sair da frente da porta. Neste momento ouvi o disparo e em seguida ouvi ele dizendo: 'ela foi baleada'. Olhei para a esposa dele e não tinha nada, os filhos também não, aí olhei para o chão e vi a minha mulher caída'', relata. O marido acredita que levaria o tiro, mas como se mexeu o projétil acabou acertando Laeni.
''Quando a vi baleada, a primeira coisa que disse é que ela não iria embora. Deus me deu força naquele momento assustador'', afirma Costa. A partir dali começou a luta da família pela recuperação de Laeni, que ficou internada por três meses e 21 dias no Hospital do Coração, em estado gravíssimo. No último dia 10 ela voltou para casa, onde está recebendo cuidados de uma equipe, em internação domiciliar.
De acordo com o esposo, o médico que atendeu Laeni disse que todos que chegam ao hospital naquela gravidade não sobrevivem. ''Mas dentro da minha fé, eu sabia que ela estava salva porque a bala não ficou parada, bateu no osso cavernoso do ouvido e desceu para o esôfago.''
Para ele, não foi apenas um milagre que salvou a sua esposa. Foram dois. Um quando ela foi atingida e outro por ter se recuperado de uma meningite que a acometeu cerca de um mês depois, ainda no hospital. ''Ela voltou à estaca zero por causa da infecção, porém, mais uma vez conseguiu dar a volta por cima e se recuperar'', conta. ''Vemos que ela tem uma força muito grande, é perseverante, batalhadora e vitoriosa.''
Costa não tem dúvidas de que as orações feitas para Laeni por meio de novenas, vigílias, encontros e até por amigos dos Estados Unidos e Japão foram fundamentais para que ela conseguisse superar os momentos mais críticos. ''Ainda precisamos deste apoio para que fique totalmente recuperada'', acrescenta Costa, que há 15 anos participa do ECC junto com a esposa.
A certeza de que Laeni sairia dessa situação com vida parece estar presente em todos os familiares. A filha do casal, Gabriela Azevedo Costa Hass, de 21 anos, estava na Inglaterra trabalhando quando recebeu a notícia. Imediatamente ela e o esposo pediram demissão e voltaram para Londrina. ''Somente no aeroporto, quando meu pai foi nos buscar, soube da gravidade do problema. Fiquei muito preocupada, mas mantive a calma e desde o princípio sabia que ela ia ficar bem'', comenta, lembrando que a mãe é devota de Nossa Senhora Aparecida.
Silvio Aparecido Casquel, cunhado de Costa, conta que o incidente afetou a família toda e também mais 25 famílias que convivem com o casal por causa das atividades da igreja. ''O tempo todo ficamos confiantes porque entregamos tudo nas mãos de Deus.''
Laeni se alimenta por sonda e respira por meio de uma traqueostomia, mas de acordo com os familiares, está se movimentando bem, vai ao banheiro e toma banho no chuveiro com ajuda de alguém. Também se comunica quando perguntam alguma coisa, mas ainda não estava em condições de conversar com a reportagem. ''Às vezes, quando ela está vendo tevê, fico na frente para brincar e ela me empurra'', comenta o esposo. ''Agora a recuperação é lenta, mas vemos melhora a cada dia. Acreditamos que ela vai voltar a ter uma vida normal.''


