A luta contra as drogas é um processo longo, que requer absoluta determinação pessoal. Apesar dos avanços nos tratamentos para recuperação de dependentes químicos, com a introdução de novos medicamentos (como a fluoxetina, empregada há cerca de três anos), o percentual de pacientes que deixam o vício, de fato, ainda é reduzido: cerca de 30%, somente, segundo afirmam especialistas da área.
Uma visita a uma clínica de recuperação de drogados demonstra, na prática, como é difícil levar uma vida normal depois de anos de envolvimento com o tráfico e consumo de drogas. Embora o clima seja de otimismo, não dá para deixar de notar a insegurança dos pacientes, procurando se livrar de situações de risco comuns ao uso de drogas.
Em Curitiba, a Clínica Nova Esperança (fundada há dez anos por uma ex-alcóolatra, que hoje administra o estabelecimento) confirma essa realidade. ‘‘Apesar de seguirmos uma terapêutica muito rigorosa, o índice de sucesso é de 30% a 40%, numa primeira intervenção’’, diz a administradora Aracelis Cepedê.
Os motivos das recaídas, frequentemente, estão ligados ao baixo nível de percepção da realidade da doença pelos usuários. ‘‘O problema é que os pacientes ficam de um até três meses internados na clínica, mas muitas vezes a força de vontade não é suficiente e eles se autorizam a tomar uma cervejinha, baixando a autocrítica e a percepção. Depois de uma cerveja, fica mais fácil fumar maconha’’, explica Aracelis.
Contato - Para o coordenador do Conselho Estadual de Entorpecentes, Carlos Abel Fiorucci, ‘‘a melhor coisa a fazer é o trabalho de prevenção, criar uma consciência antidrogas antes que as pessoas tenham o primeiro contato’’.
Na avaliação do especialista, ‘‘a recuperação do dependente é muito importante e necessária, mas temos ainda uma efetividade muito baixa dos tratamentos’’. ‘‘Quem disser que tem um trabalho de recuperação acima de 30% está faltando com a verdade’’, assegura ele.

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