Recuperação de Ponte Pênsil esbarra na burocracia
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Ribeirão Claro - A história da Ponte Pênsil Alves Lima, a qual liga as cidades de Ribeirão Claro, que fica no Norte Pioneiro do Paraná, a Chavantes, no Estado de São Paulo, é das mais interessantes. Idealizada pelos senhores dos cafezais, que produziam no lado paranaense no início do século 20 e precisavam escoar suas safras até o porto de Santos (SP), ela guarda em suas vigorosas tábuas de Cabreúva episódios marcantes da história recente do país. Porém, encontra-se abandonada, relegada a trampolim de garotos que se refrescam nas profundas águas do rio Paranapanema. O irônico é que a empresa metalúrgica encarregada da restauração garante que está com o dinheiro em caixa, nada menos do que R$ 2 milhões. Falta os órgãos governamentais resolverem a parte burocrática. Talvez essa seja a batalha mais árdua enfrentada pela Alves Lima, uma das três pênseis do Brasil.
O primeiro revés sofrido pela ponte aconteceu em 1924, por conta de uma Revolução liderada por jovens da classe média e militares paulistas insatisfeitos com as estruturas da República. Os revoltosos foram os primeiros a destruir parte da ponte, reformada um ano depois sob o comando do mesmo cafeicultor de Ribeirão Claro que lhe emprestara o nome, Antônio Alves Lima.
Seis anos depois e a Revolução de 1930 estourou. Sobrou, mais uma vez, para a ponte que era uma das estratégicas ligações de São Paulo com o Sul do país. ''Forças paulistas e federais, leais ainda ao Presidente da República, Washington Luiz, destruíram a Ponte Pênsil Alves de Lima naquele ano'', relata o professor de história e especialista em Revolução de 1930 no Norte Pioneiro do Paraná, Roberto Bondarik.
Depois disso, a paz reinou na conturbada fronteira. Por quase 50 anos, a Alves Lima esteve longe das destruições, até que uma enchente catastrófica abateu o Paranapanema em 1983. As chuvas intensas vieram fora de época, em julho, e sobrecarregaram os reservatórios das usinas hidrelétricas, entre elas a de Chavantes, cuja barragem está a pouca distância - centenas de metros rio acima - da ponte. As comportas foram abertas e a ponte encoberta pelas águas. Mais uma vez, destruição. Mais uma vez, reparos.
Chegando aos dias atuais, a Alves Lima, que foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Artístico do Estado de São Paulo (Condephaat), em 1985, e pela Coordenadoria do Patrimônio Cultural do Paraná (CPC), em 2001, está fechada para o tráfego de automóveis desde 2005, quando foi inaugurada uma ponte de concreto, construída a 200 metros da histórica ponte pênsil, que agora atende ao fluxo de veículos de um estado para o outro.
A obra que outrora fora fundamental para o desenvolvimento econômico da região de Ribeirão Claro, agora espera pela restauração. Enquanto isso, a cada dia apresenta novos sinais de degradação, promovidos pela ação do tempo e dos vândalos. Diversas tábuas estão podres e esburacadas. Uma parte da ponte foi incendiada criminosamente. No lado paulista, crianças e adolescentes utilizam a Alves Lima como trampolim, ignorando as placas que advertem para a proibição de tal ato. Contudo, a restauração não acontece devido à burocracia.
O restauro será feito pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do grupo Votorantim. A metalúrgica foi incumbida por órgãos ambientais federais de fazer a construção da ponte de concreto que permitiu encerrar o tráfego na Alves Lima e também de fazer a restauração da ponte pênsil. ''É uma condicionante da licença de operação da Usina Hidrelétrica de Ourinhos (SP), construída pela CBA'', informou a assessoria de imprensa da metalúrgica.
De acordo com o coordenador do departamento de cultura de Ribeirão Claro, Luis Carlos Fernandes, desde 2005 está firmado um convênio entre a CBA com a empresa que fez o projeto de restauro, já aprovado pela Condephaat e pela CPC. Mesmo assim, é preciso mais papéis e assinaturas.
''Como a ponte pênsil é considerada um patrimônio histórico, para o início das atividades de restauração necessitamos da obtenção de ordem de serviço emitida pelos Departamentos de Estradas e Rodagem (DERs) de São Paulo e do Paraná. Para a emissão dessa ordem, há a necessidade de assinatura de convênio entre CBA, DERs (SP e PR), Condeephaat (SP) e CPC (PR). E, para a assinatura desse convênio, há a necessidade de autorização dos governadores dos dois Estados. O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), já aprovou, no final de janeiro. Aguardamos a assinatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB)'', diz a nota enviada pela CBA à FOLHA.
Ainda conforme a metalúrgica, só falta resolver a parte burocrática, pois o montante do restauro, R$ 2 milhões, está disponível. Enquanto a assinatura não vem, a Ponte Pênsil Alves Lima segue firme na luta, enfrentando a sua mais longa batalha.


