Recuperação começa na abordagem
A bolsa morador de rua é um dos passos finais da recuperação, que começa na abordagem de rua, pelos educadores sociais. É preciso criar um vínculo com crianças, adolescentes e adultos em situação de rua, visando à inserção na rede de proteção social. Para isso são realizadas abordagens programadas em locais de maior demanda, além das abordagens solicitadas pela comunidade, descreve Adriana Barrozo, coordenadora do Creas I, apontando ruas e praças como espaços de aproximação do cotidiano dos moradores de rua, onde os riscos e vulnerabilidades se agravam. Ao todo, 18 educadores se revezam em duas equipes, que trabalham em três horários diferentes, diariamente.
Na sede do Creas são realizadas triagens de novos casos, orientações via telefone, apoio à equipe da rua, atendimento interdisciplinar, discussão de casos, trabalhos em grupos e oficinas. Uma equipe de auxiliares educativos realiza a acolhida inicial do indivíduo, que envolve a coleta de dados de identificação e o encaminhamento ao atendimento técnico interdisciplinar.
Conforme Adriana, são bastante pessoais os motivos que levam os indivíduos a viver na rua: baixa renda, vínculo familiar fragilizado, comprometimento mental, dependência química, baixa tolerância à frustração etc. E o trabalho de convencimento é ostensivo e individualizado: o educador tem que entender por que a pessoa decidiu viver na rua e pensar junto em um novo projeto de vida.
É importante que a equipe de abordagem conheça as políticas públicas da Mulher, do Idoso, da Saúde e tenha habilidade para ouvir o indivíduo, conhecer sua história de vida para realizar um trabalho educativo e de resgate da família e do trabalho. (M.G.)





