Maigue Gueths
De Curitiba
Durante esse ano, o Projeto Recriar da Secretaria Municipal da Criança ajudou entre 70 a 100 crianças permanecer junto a suas famílias. Além disso, auxiliou no processo de adoção de outras 20 a 30 a conquistar um novo lar. Este processo vem acontecendo por um trabalho ‘‘formiguinha’’, que envolve encontros mensais abertos ao público interessado para discutir o assunto Família e Adoção, publicações do informativo Criando Idéias e, ainda, da repercussão da campanha ‘‘Adotar é Legal’’, lançada pela entidade.
Neste sábado, acontece o último encontro do ano do Projeto, com a presença da bióloga e escritora Hália Pauliv de Souza, que vai falar sobre ‘‘Adoção é Doação’’, título de um de seus livros. O encontro será na sede da Secretaria da Criança, à rua da Glória, 362.
A presidente do projeto, Lúcia Helena Milazzo Kossobudzki, esclarece que o Recriar ‘‘não se resume às tentativas de adoção’’. O projeto existe há 3 anos e é formado por pessoas que trabalham voluntariamente. O objetivo é prevenir o abandono de crianças e desenvolver trabalho educativo no sentido de estimular a adoção. Um dos focos são as tardias, que envolvem crianças maiores ou adoções interraciais e daquelas com necessidades especiais. ‘‘Se alguém está querendo dar o filho, vamos conversar, aconselhando que pensem bem e que o façam de forma legal, através do Juizado. Caso contrário, seu filho corre o risco de não ter nenhum direito legal junto à família que o assumir’’, diz Lúcia.
Entre as adoções feitas este ano, segundo ela, há crianças de várias faixas etárias e tipos, como uma menina de 11 anos, um garoto negro de 5 anos. ‘‘A cultura da adoção está mudando’’, diz Lúcia Helena Milazzo Kossobudzki.
As pessoas continuam preferindo bebês do sexo feminino. Mas, depois de muita conversa, o Recriar tem conseguido reverter esta expectativa, fazendo com que adotem crianças maiores, mais necessitadas de um lar. No Juizado, a lista de espera por um bebê para adoção é de mais de 300 casais.
Natal O número de pessoas que procura orfanatos e abrigos de crianças para fazer caridade aumenta bastante nesta época de natal. Muitas entidades, inclusive, pedem que levem as crianças para passar o Natal em suas casas. Na verdade, este é um assunto polêmico, porque existem especialistas que temem a expectativa criada pelas crianças em ser adotadas. ‘‘A criança tem que estar preparada para saber que vai voltar daquela casa’’, avisa. Mas eu acho que ela tem direito a provar também este outro lado da vida, de passar um natal em família, mesmo que seja só uma vez’’, defende.
Para Lúcia, muitas famílias têm medo de não saber lidar com esta situação, de ter uma criança em casa apenas por um ou dois dias. ‘‘Isto é besteira, elas são crianças iguais às outras’’, diz. Os interessados em levar uma criança sem lar para passar o natal em casa podem procurar as várias entidades existentes, como o Lar Acridas, Lar Novo Caminhar, Missão El Shadai, Lar dos Meninos do Xaxim, Lar das Meninas das Mercês, Lar Batista Esperança, entre outros.

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