Em 2014, em Curitiba, foi criada a campanha Busão sem Abuso. A vítima faz a denúncia na hora ao motorista e ao cobrador e liga para a Guarda Municipal informando detalhes da linha, bem como descreve o ocorrido para que seja feita a interceptação do ônibus e o abusador seja detido na hora. A secretária da Mulher de Curitiba, Roseli Isidoro, afirma que depois que a campanha começou, houve um aumento das ocorrências registradas.
"Não existe uma lei específica como a Maria da Penha no que se refere à violência e não há uma lei que mantenha o abusador na prisão, por isso há o receio de fazer a denúncia. A interceptação da guarda municipal gera um termo circunstanciado e acaba imputando multa. A inexistência de uma lei mais severa faz com que as mulheres tenham medo de denunciar. Mas o fato da Campanha Busão sem Abuso encaminhar para a delegacia gera um transtorno ao abusador que pode inibir a prática", destacou a secretária.
A campanha registrou 28 casos de abuso em 2014, 72 em 2015 e 26 em 2016 (até abril). Roseli ressaltou que cuidados são tomados para que injustiças não sejam cometidas. "Nossa campanha diz para a usuária e para o usuário que é para ter claro que a encostada involuntária e o esbarrão sem querer faz com que de fato as pessoas se aproximem em uma freada brusca. O abuso não é o encostar involuntário", advertiu.
Segundo Roseli, o abuso só se configura quando a pessoa fica se esfregando, passando a mão nas partes íntimas, há exposição dos órgãos genitais, a pessoa agarra ou tenta imobilizá-la ou fica cochichando palavras indecentes sem o consentimento da vítima. A secretária informou que os dados de Curitiba apontam que 10% dos casos envolvem abusadores contumazes e a faixa etária deles tem ficado entre 52 e 65 anos.
Na Delegacia da Mulher de Londrina a investigadora Andréa Pinheiro relata que são poucas as mulheres que comunicam a polícia abusos sexuais em ônibus. "Em um intervalo de um ano são de 30 ocorrências para menos, mas eles ocorrem, no entanto muitas vítimas ficam constrangidas de fazer a denúncia."
A investigadora explicou que todas as vítimas relatam qual o horário e linha de ônibus em que ocorreram os abusos. "Fazemos abordagens para tentar identificar os agressores. Ficamos em campana. há relatos de pessoas que ficam sempre no mesmo ônibus", apontou.

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