Quando o resultado do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi divulgado, na última semana, o estudante André Coelho de Lima, de Cornélio Procópio, completou uma marca que jamais esperaria alcançar a de passar em sete vestibulares de medicina, quatro destes de universidades públicas. Com apenas 17 anos, ele atribui o resultado a muita dedicação e também a um pouco de sacrifício. ''Deixei de ir a alguns churrascos, festas e baladas com os amigos, não sempre, mas o sacrifício valeu a pena'', disse. O curso de medicina foi o curso mais concorrido da UEL, com mais de 75 candidatos disputando cada uma das 80 vagas.
André e a família são categóricos em descartar a fama de ''gênio''. ''O pessoal brinca: então você tem um 'geninho' em casa? Eu respondo que ele é extremamente normal, como qualquer outro adolescente, mas muito dedicado a um objetivo de vida'', argumentou a mãe, Margareth Coelho Lima, de 42 anos. Além da UEL, André também conquistou uma vaga na Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde já começou a estudar há quase um mês; Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, Faculdade Evangélica do Paraná (Fepar) e Universidade Metropolitana de Santos (Unimes).
A rotina de estudo de André até poderia ser considerada ''normal'', se não fosse por um pequeno detalhe ele se propôs a estudar todos os dias pelo menos quatro horas a mais do que já estudava fazendo o chamado ''terceirão'' (3º ano do Ensino Médio), isso tudo munido de fones de ouvido para poder escutar pagode, seu tipo preferido de música. Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e Bezerra da Silva, entre outros, pode se dizer, ''ajudaram'' o estudante na difícil tarefa de passar no vestibular. ''Foi uma maneira que achei para me concentrar, até porque na frente do apartamento onde morava tinha um posto barulhento. Também era um jeito de me distrair um pouco, ficava batucando e estudando'', revelou.
Com pai, avô (já falecido) e três tios médicos, André admite que a escolha pela medicina foi influenciada pela família. Fato que deixa o pai, o geriatra João Batista Lima Filho, de 46 anos, orgulhoso. ''A minha única tristeza é que ele é corinthiano'', brincou o pai, santista convicto. Segundo ele, ''o objetivo do filho não era bater recorde, mas passar de preferência em uma escola pública''. No ano passado, o estudante Luiz Angelo Rossato, de Londrina, também teve sete aprovações em vestibulares de medicina.

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