O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Londrina (CMDCA) encerrou ontem um capítulo importante da polêmica eleição dos conselheiros tutelares. A recontagem dos votos confirmou o erro na primeira apuração realizada logo após a votação. A candidata Celina Barbosa Santos foi a maior beneficiada pela dúvida. Do 20º lugar, com 314 votos, ela saltou para a 11 colocação, com apoio de 360 eleitores. Em compensação, o candidato Idalto José de Almeida, que estava em 14º lugar com 340 votos, caiu para 16º e saiu da lista de titulares. Essa foi a única alteração na lista dos 15 candidatos que haviam sido eleitos na primeira contagem.
Segundo Cristina da Silva Souza Coelho, presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente de Londrina, entidade responsável pela eleição, o cansaço e a pressão durante a apuração causaram o erro. ''Não esperava isso'', confessou. A recontagem dos votos terminou às 16 horas de ontem e a lista dos eleitos está afixada na prefeitura e no site (www.londrina.pr.gov.br). Os recursos poderão ser impetrados até segunda-feira, na sede do Conselho Tutelar, que funciona na Secretaria Municipal de Assistência Social.
A escolha dos novos membros começou em janeiro, com a publicação do primeiro edital para as eleições. O processo foi cancelado dois meses depois por falta de candidatos. Desde abril, prazo final para o cumprimento da última gestão, conselheiros provisórios nomeados pelo juiz da vara da infância e juventude, Ademir Richter, respondem pela tutela.
A primeira apuração, realizada no dia 26 de junho, foi feita no mesmo dia das eleições. Dos 14.184 votos contabilizados, pouco mais de 13,7 mil eram válidos. Cerca de 100 pessoas anularam as cédulas e quase 300 votaram em branco. A participação era facultativa.
Segundo Cristina, 20 recursos administrativos pediram a recontagem, realizada ontem em meio a protestos, acusações e reclamações. Canditatos eleitos foram acusados de usar transporte para levar votantes às seções eleitorais, de fazer boca de urna e de contar com apoio político durante as campanhas, onde até santinhos foram distribuídos. Alguns dos recursos foram impetrados por candidatos que se elegeram, enquanto alguns derrotados, contestavam verbalmente o resultado.
''A maior parte dos recursos foi justificado por candidados que tinham certeza de que parentes e amigos votaram em algumas seções onde nenhum voto foi computado. Decidimos pela recontagem porque queríamos fazer tudo com total transparência'', afirmou Cristina. Entre os candidatos que pediram a recontagem estava a eleita Emilene da Silva, pedagoga que acredita que o cansaço pode ter atrapalhado a primeira contagem. ''Se usássemos urnas eletrônicas, seria muito mais fácil'', reclamou. ''Pelo menos quatro votos que tenho certeza que recebi não foram computados na primeira contagem'', disse a candidata derrotada Iolanda Godoy.
Uma das beneficiadas com a recontagem foi Celina Barbosa Santos. Eleita como suplente na primeira apuração, Celina agora vai assumir como titular. ''Não acredito que isso tenha acontecido por má fé. Acho que o cansaço atrapalhou'', disse.
Os 15 conselheiros eleitos assumem no dia 15 de julho. De acordo com Cristina, o CMDCA recebe novos recursos somente até amanhã. ''Este ano não usamos urnas eletrônicas porque o cancelamento do primeiro edital atrasou o processo e o Tribunal Eleitoral exige os nomes dos candidatos com 60 dias de antecedência para preparar os programas. Mas o recurso deve ser usado no próximo ano. O CMDCA também está dando andamento às investigações sobre as denúncias recebidas. Se elas ficarem comprovadas, os candidatos serão responsabilizados''.(Colaborou Betânia Rodrigues)

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