O sorriso talvez seja uma das ferramentas mais importantes de interação social. No entanto, existem pessoas que são privadas desse simples ato, seja por conta de um acidente que deformou a face; seja por causa de um tumor que alterou o formato do rosto. Há ainda casos de pessoas que já nasceram com deformidades faciais. Em qualquer um desses casos, se a pessoa recorrer a um tratamento particular para recuperar o sorriso, a conta pode ficar muito salgada, podendo atingir a cifra de R$ 200 mil.
Em Londrina, no entanto, desde 2007 existe uma alternativa para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. O diretor da Clínica Odontológica Universitária da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Roberto Pinto, ressalta que todo trauma de face pode ser tratado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os procedimentos podem ser feitos no consultório da Rua Pernambuco, 540, ou no Hospital Universitário, quando a cirurgia exige ambiente hospitalar.
A porta de entrada para esse tipo de atendimento são as unidades básicas ou as regionais de saúde. "É preciso deixar bem claro que o paciente não pode vir aqui de maneira espontânea sem ser referenciado pela unidade básica de saúde", alertou o diretor, que acrescenta que o plantão funciona 24 horas por dia e 365 dias por ano.
O motorista Cristiano Rodrigues da Silva, de 33 anos, foi atendido por um dentista do Sest/Senat, que o orientou a procurar uma UBS para tratar uma mordida cruzada decorrente de um acidente que sofreu quando tinha apenas 9 anos. "Uma moto bateu em minha boca e todos os dentes de baixo tiveram que ser implantados de volta. Era para eu ter dado continuidade ao tratamento, mas acabei não fazendo devido ao custo", relatou. Silva está em tratamento na clínica da UEL há dois anos. "Eu tinha um maxilar mais para frente. Isso melhorou a respiração e a mastigação. A melhora é geral", comemorou.
De acordo com o professor Glaykon Stabile, coordenador da residência de cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial da UEL, a clínica oferece tratamento para pacientes com tumores e deformidades craniofaciais. "Utilizamos os modelos personalizados que são conhecidos como protótipos biomédicos. Trabalho com esse material desde 2004, mas na universidade trabalhamos com ele desde 2007", relatou.
Stabile explica que o modelo biomédico ajuda no planejamento da cirurgia. "Primeiro é realizada uma tomografia do paciente e com base nela é fabricado um modelo biomédico, que pode ser feito com vários materiais: poliamida, gesso ou resina. Esse modelo é medido por uma série de paquímetros para planejar a reconstrução", explicou. Posteriormente é feita uma cirurgia no modelo, para remover a parte problemática e esse modelo é enviado para uma empresa fabricar uma prótese personalizada.
"Antigamente a gente ia para cirurgia, via o que estava acontecendo e procurava tratar da melhor maneira possível, tomando as decisões durante a cirurgia. Com essas peças é possível planejar antes tudo o que o paciente vai precisar. Planejamos o tamanho do enxerto e onde o osso vai ser cortado. Com a confecção das próteses específicas, o trabalho é feito previamente. Quando vamos para a cirurgia já está tudo pronto e é só implantar", detalhou.
A duração de cada cirurgia é variável, conforme a gravidade do problema, mas Stabile garante que o tempo de cirurgia pode ser diminuído em até três horas com a aplicação da técnica e que o resultado é superior ao do método antigo.
Além da prótese personalizada, existem também as próteses de estoque. Nesse caso, no entanto, são os pacientes que precisam se adaptar. "A prótese personalizada é muito utilizada porque é mais fácil de implantar e permite resolver uma série de problemas que a prótese de estoque não permite, como substituir a articulação e deixar a mandíbula na posição ideal", explicou Stabile.
Entre os casos tratados pela equipe estão o de um adolescente que foi atingido por um tiro no rosto e teve parte da mandíbula e do crânio destruída; e o de uma pessoa que há 20 anos não conseguia abrir a boca porque o maxilar fundiu com o crânio.
O processo é demorado. Segundo Stabile, a partir do envio da tomografia, se o pedido for feito com urgência, o prazo de produção do biomodelo dura cerca de dez dias. "Se precisar de uma prótese personalizada, o tempo de envio é de dois a três meses. Como a maioria das próteses personalizadas é feita no exterior, há uma demora em função de problemas burocráticos", explicou o coordenador. Para reduzir esse prazo, muitas vezes a cirurgia modelo é feita no computador e não no biomodelo. "Conseguimos eliminar esta etapa e isso diminui em um mês esse tempo de espera", explicou.
Segundo José Roberto Pinto, a residência específica para cirurgiões dentistas está na sexta turma. "Já vieram pessoas do Brasil todo. Nós ofertamos duas vagas anuais em uma prova única. O salário é o mesmo de uma residência médica." As inscrições podem ser feitas pelo site da UEL e as provas são geralmente em novembro.

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