Reconstrução mamária é perfeita
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de março de 1997
Simone Mattos 
Da Sucursal
Kraw PenasProgressoMiró, em seu consultório em Curitiba: médicos reconheceram que a qualidade de vida das pacientes pode ser melhorada com a cirurgia plásticaA cirurgia plástica sempre esteve diretamente relacionada com a vaidade humana, certo? Errado. A sua origem não aconteceu por motivos estéticos, mas restauradores, e, atualmente, a aplicação da plástica para fins corretivos continua sendo a mais solicitada. As afirmações foram feitas por um dos especialistas mais conceituados do País, o paranaense Arnaldo Miró, há 20 anos cirurgião plástico.
Neste mês ele participou como palestrante de um congresso internacional, promovido pelos ex-alunos do professor Ivo Pitanguy, em Casablanca, no Marrocos. Único representante do Paraná no evento, Miró falou sobre a técnica de reconstrução mamária, utilizada por 70% das mulheres que precisam se submeter a mastectomia (retirada da mama por indicação médica).
Nos últimos cinco anos, esta foi a técnica que mais se desenvolveu no mundo, explicou ele. Os oncologistas e ginecologistas passaram a dar maior ênfase à qualidade de vida das pacientes, indicando-as para a reconstrução mamária.
Segundo Miró, a técnica evoluiu muito na última década e hoje geralmente é realizada com tecidos do próprio abdômen, numa cirurgia complexa que leva cerca de cinco horas. A reconstrução mamária pode também ser feita com retalhos musculares, próteses de silicone ou através de microcirugias.
Kraw PenasPaciente que se submeteu à mastectomia, retirada do seio por indicação médica, para evitar avanço de tumor (à esquerda) passou pela cirurgia de reconstrução mamária com aproveitamento de tecido do próprio abdômen: resultado é satisfatório mas exige acompanhamento psicológico pós-operatório
O cirurgião informou que o processo geralmente é realizado por uma equipe de seis profissionais, que inclui cirurgião plástico, oncologista, ginecologista, fisioterapeuta, psicólogo e psiquiatra. A maioria das pacientes precisa de acompanhamento emocional, para evitar possíveis traumas causados pela perda e reconstrução do seio, disse Miró.
A realização da cirurgia apresenta altos custos, mas é acessível a toda a população, segundo explicou o médico. Ela é considerada uma cirurgia plástica corretiva e pode ser realizada através de convênios médicos ou pela rede pública de saúde.
Outro tema amplamente discutido no congresso foi a utilização de implantes aloplásticos, feitos com material químico. Além das próteses de silicone e goretex, vários outros materiais estão sendo estudados e testados. A principal aplicação deles será nas cirurgias faciais.
Segundo Miró, outra ampla aplicação da cirurgia plástica corretiva é nos casos traumáticos, causados por acidentes de trânsito, de trabalho, domésticos ou de violência urbana.
Em alguns locais, como o setor de cirurgia plástica do Hospital Evangélico ou do Cajuru, 100% das operações realizadas são corretivas, explicou.


