Reconstrução deve levar seis meses
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quarta-feira, 02 de julho de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoDesolaçãoMoinho destruído ao lado de riacho, perto da cidade; prefeito tenta elevar o moral de moradores, decepcionados com a falta de perspectivasPassados 20 dias do furacão que matou três pessoas, destruiu parte da cidade e causou estragos na zona rural, Nova Laranjeiras, no Centro-Oeste do Paraná (110 quilômetros a leste de Cascavel), ainda espera apoio para iniciar a reconstrução. O prefeito José Lineu Gomes (PMDB) apresentou ontem números definitivos sobre os prejuízos: R$ 6,5 milhões. Também disse que a reconstrução da cidade, antes calculada em 90 dias, deve demorar cerca de seis meses.
Comerciantes e moradores perderam a esperança de que Nova Laranjeiras volte a ter as condições sociais e econômicas que tinha antes do furacão de 13 de junho. Precisamos manter o moral do povo, pois se pessoas começarem a ir embora, outras as seguirão e a evasão será grande, afirma o prefeito, que dedica parte do dia a visitas para tentar animar os moradores.
Ele conversa com moradores acompanhado de uma psicóloga contratada pela prefeitura. Dizemos para as pessoas, principalmente as que não têm mão-de-obra qualificada, que se forem para outras cidades vão sofrer mais, relata Gomes.
Os prejuízos, estimados em cerca de R$ 6,52 milhões, incluem moradias, edificações industriais, comerciais e rurais, estradas, pontes e bueiros destruídos ou danificados. Na área urbana, 93 casas, duas serrarias, parte da cooperativa Coagri (pertencente ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra do Paraná) e um moinho à beira de um riacho foram destruídos.
Na zona rural, o furacão derrubou 15 moradias e 47 barracões. Foram parcialmente atingidos 140 chiqueirões e estábulos. Os danos em estradas rurais somam prejuízos de R$ 1,25 milhão.
Segundo o prefeito, a estimativa não inclui perdas com a destruição de maquinários e carros, além de móveis e eletrodomésticos. Parte dos 2,5 mil moradores da cidade permanece abrigada em barracas da Defesa Civil e outros em casa de parentes e amigos.
Nenhuma edificação derrubada pelo furacão foi reconstruída. Até agora, foram executados apenas reparos em moradias parcialmente atingidas. O governo do Estado, que repassou R$ 200 mil para a etapa inicial de recuperação do município, liberou também 90 casas já desocupadas do canteiro-de-obras da Usina de Salto Segredo, da Copel, entre os municípios de Pinhão e Mangueirinha.
As edificações - 64 com 40 metros quadrados e 26 com 70 metros quadrados - são pré-fabricadas. Elas devem ser desmontadas e transportadas para Nova Laranjeiras ainda hoje.
A Defesa Civil e técnicos do Departamento de Construção de Obras e Manutenção (Decom) permanecem em Nova Laranjeiras. A prefeitura aguarda para esta semana a liberação de R$ 500 mil solicitados pelo prefeito e pelo deputado federal Hermes Parcianello (PMDB) ao Ministério do Desenvolvimento Regional. O município arrecadava cerca de R$ 150 mil por mês. Justamente no mês da tragédia, a arrecadação havia caido em 20%.
Depois do furacão não entrou nenhum centavo de tributos municipais, o que é compreensível, afirma Gomes. A prefeitura tem apenas uma retroescavadeira e um caminhão e nem os escombros foram removidos. O DER cedeu um trator e uma patrulha mecanizada está sendo pedida para completar a limpeza.
Faltam tijolos, telhas, cimento e ferro para as obras de recontrução. Uma campanha foi lançada ontem pelo prefeito pedindo a doação de materiais. Até o momento, a Binacional Itaipu doou areia suficiente para construir 175 casas de até 70 metros metros quadrados.
A prefeitura, Defesa Civil e Decom planejavam construir casas com tamanho padrão de 60 metros quadrados, mas a idéia foi abandonada. É justo que as famílias tenham moradias em condições próximas às anteriores, argumenta o prefeito.


