A Polícia Civil fez ontem a reconstituição do assalto à padaria Brasil seguido da morte do estudante Anderson Gomes Ferreira, 19 anos, ocorridos no dia 6 de dezembro de 1999 em Apucarana. Os irmãos Marcos Cézar Gomes, 25 anos, e Everaldo Alves Pereira, 27 anos, participaram como responsáveis pelos crimes que causaram revolta e tiveram grande repercussão na cidade. Na época, o delegado chefe da 17ª Subdivisão Policial, Otacílio Bovolin, e outros dois auxiliares foram afastados e transferidos depois que um manifesto assinado por lideranças e autoridades denunciou a inoperância da polícia e o clima de intraquilidade em Apucarana.
Depois de assaltar a padaria na área central da cidade, a dupla tentava fugir e assustou-se com a chegada de um Santana branco que pensaram ser da polícia. Os dois começaram a atirar e uma das balas matou Anderson Ferreira, que cursava direito na Universidade Estadual de Londrina. Ele estava numa academia de capoeira ao lado da padaria, trocando de roupa. Outro tiro feriu Diego Garcia Alves, 20 anos, que estava com seu pai no Santana. Os assaltantes levaram cerca de R$ 1 mil do caixa e de clientes, além de pacotes de cigarros e um litro de uísque.
Revoltada com a morte do estudante, a comunidade criou uma entidade chamada Comando Anderson (Comander), realizando passeatas contra a impunidade. A entidade também fez um abaixo-assinado com milhares de adesões e entregou o documento ao governador Jaime Lerner e ao secretário de Segurança do Estado, José Tavares, em audiência no último mês de março, exigindo mais rigor nas investigações do crime.
O delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, e o chefe da Delegacia de Policiamento do Interior, Clóvis Galvão, designaram uma equipe especial para investigar o caso, sob a supervisão do delegado de Apucarana, Nabor Sottomaior. Em 45 dias de trabalho o delegado Valdir Abrão e três investigadores identificaram um dos envolvidos. A prisão temporária de Marcos Cézar Gomes, o ‘‘Careca’’, já estava decretada quando ele foi preso na semana passada em Maringá, no assalto a uma agência do Banestado.
Com a prisão dele, os policiais conseguiram identificar o outro envolvido nos crimes de Apucarana: é o irmão de criação de Marcos, Everaldo Alves Pereira, preso no final de semana em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. A reconstituição dos crimes ontem durou duas horas e meia. Os acusados contaram que antes do assalto tinham tomado cerveja e fumado maconha. Disseram que dias depois ficaram sabendo que um dos tiros havia matado o estudante.

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