Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A reconstituição da cena do acidente que matou um piloto e seis turistas estrangeiros em um passeio do Macuco Safári reforçou a tese de falha humana, segundo afirmou ontem o delegado Paulo Renato Caldas de Araújo, que apura o caso. ‘‘Pelo que foi observado hoje é muito provável que tenha acontecido falha humana.’’
Ontem, após ter retornado pela primeira vez ao local da tragédia, o piloto sobrevivente, Neri Carlos Lysik, confirmou à imprensa o que havia dito no depoimento à polícia anteontem. ‘‘Até agora eu não consigo entender o que o Cândido (Siqueira, o piloto que morreu no acidente) fez. Ele veio em minha direção. Não pude fazer nada’’, isentou-se Lysik.
Com base nos dados colhidos nos depoimentos de dez testemunhas que estavam nos dois barcos no acidente de domingo e com orientação de Lysik, a Polícia Civil e a Marinha simularam a cena do acidente num ponto do Rio Iguaçu a 1,8 mil metros acima do atracadouro do Macuco, considerado o local exato da colisão.
Feita em dois barcos infláveis do próprio Macuco, a operação mobilizou 26 pessoas. Estavam presentes – além de peritos vindos do Instituto de Criminalística do Paraná, delegados, investigadores, advogados e um escrivão – o promotor Cândido Furtado e Ademir Fernandes dos Santos, sócio-proprietário da Ilha do Sol Turismo, dona dos barcos. Também participaram dois guardas florestais e um fiscal do Ibama. A operação foi feita próximo da margem argentina, onde transitam preferencialmente embarcações que estão subindo o rio. Segundo a reconstituição, o barco conduzido por Lysik estaria próximo a esta margem quando foi surpreendido pela trajetória da embarcação menor, que descia o Iguaçu e deveria transitar próximo à margem brasileira.
Lysik disse que desacelerou quando percebeu que poderia haver a colisão, jogando o barco em direção à margem. ‘‘Não poderia ter desviado mais, se não haveria um violento choque com as pedras.’’ O piloto também contou que não poderia ter desviado à esquerda, pois o outro barco poderia fazer o mesmo.
O delegado Paulo Renato Caldas de Araújo acredita que o trabalho realizado pelos peritos na reconstituição ontem – filmagens, fotografias e inspeções nos dois barcos envolvidos no acidente –, determinarão se Lysik poderia ter evitado o acidente.
As imagens feitas durante o passeio por Luis Carlos Hille, 37 anos, empresário de Joinville (SC), também serão confrontadas com os dados colhidos na perícia e deverão ser peças-chave para definir a conduta dos dois pilotos.Delegado reforça tese de que acidente
com barcos foi provocado por imperícia
Ney de SouzaNey de SouzaDois barcos iguais aos que se chocaram foram utilizados na simulação do acidente, que mobilizou 26 pessoas; o piloto Neri Carlos Lysik (ao lado) se isenta de culpa e diz que não consegue entender o que colega fez

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