Reconstituição de chacina ainda deixa dúvidas
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quarta-feira, 12 de março de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Civil reconstituiu, ontem, a chacina ocorrida no dia 28 de fevereiro no município de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, que deixou um saldo de nove mortes, sendo oito de uma mesma família, e dois feridos. A reconstituição serviu para esclarecer que os dois principais suspeitos, Marcos Antonio Taverna, 27 anos, e Marcos Roberto Jardim Procecke, 26 anos, foram os verdadeiros autores do crime, afirmou o delegado encarregado do caso Messias Antonio Rosa.
Mas o delegado não acredita que sejam eles os mentores. Para Rosa, o crime foi planejado e encomendado dentro da Colônia Penal Agrícola (CPA), onde os acusados estavam presos. O principal alvo da chacina, Helio Duarte, 51 anos, que morreu, também cumpriu pena na CPA e era acusado de ser o principal controlador do tráfico de drogas dentro da colônia. Rosa disse que esta semana ainda vai até a CPA para para ouvir um detento que é suspeito de também estar envolvido no crime. O terceiro envolvido é João Mario Machado, responsável de ter escondido as armas, um revólver calibre 38 e uma pistola. Os acusados também usaram picaretas para matar.
Taverna assumiu a autoria dos crimes e acusou Rubens Antonio Duarte, 32 anos, filho de Helio Duarte. Rubens, conhecido como ''Binho'' teve prisão preventiva decretada por 30 dias e já se encontra preso, à disposição das investigações. Binho não participou da reconstituição.
O delegado disse que não acredita nessa hipótese. Para ele, Taverna é um psicopata e revelou muita frieza na reconstituição, inclusive quando assumiu a morte das crianças. As crianças, como os demais, estavam amarradas e amordaçadas. Quando Taverna foi matá-las a tiros, o revólver falhou e ele pegou a picareta e começou a golpear a cabeça das crianças contra a parede.
Outra revelação que suscitou dúvidas, segundo o delegado, é o fato de Taverna ter assumido sozinho a autoria da chacina. Segundo Rosa, é inconcebível que uma pessoa sozinha conseguisse matar a todos, sem a ajuda de um companheiro. Procecke não assumiu a autoria de nenhuma morte. Mas ele foi reconhecido por uma criança sobrevivente, C.S.D., de 10 anos, como autor da morte das crianças pela cicatriz que tem na testa. A polícia o arrolou como co-autor, porque sua presença no momento da chacina, ajudou Taverna a fazer o ''serviço''.
De acordo com a reconstituição da chacina, a primeira pessoa a morrer foi Joseane Borges dos Santos, 29 anos, que tentou fugir. Depois foram baleados e mortos Luciano Augusto Damaso, 27 anos, e Ricardo Aurélio Duarte, 29 anos. Luciane Andrade, 22 anos, foi atingida pelos disparos, mas conseguiu sobreviver e pode perder a visão. Em seguida, foram mortos Teófilo Inácio Pontes, 85 anos, Helio Duarte, principal alvo do crime, Rosa Mendes Duarte, 72 anos. As crianças foram executadas por último: Renan Alberto Duarte, 14 anos, Cauê dos Santos Duarte, oito anos e Cauã dos Santos Duarte, quatro anos.
A reconstituição feita pela polícia atraiu muita gente para as proximidades do local do crime. Alguns gritavam pedindo por justiça e ameaçavam linchar os acusados.


