Vicentina, 54 anos. João, 63. Apesar de nunca terem se visto, ambos compartilham uma história de tristeza e vergonha, mas com um final feliz, ou melhor, um final sorridente. De família humilde, a dona de casa Vicentina de Souza Neves, já na adolescência, começou a colher as consequências dos maus cuidados com os dentes. ''Meus pais não tinham dinheiro para comprar escova. Aí, os dentes iam estragando. Se doía, a solução era arrancar'', lembra.
Apesar da pouca idade, as falhas na boca eram grandes e começaram a trazer problemas. ''Não conseguia mastigar direito, tinha mau hálito, além de sofrer muito com o preconceito. Não conseguia emprego por causa do meus dentes.'' A primeira prótese veio aos 28 anos, porém, longe do ideal. Em tratamento há seis meses, agora ela aguarda ansiosa pelo novo sorriso. ''Não vejo a hora de poder sorrir sem nenhuma vergonha'', conta ela, ao lado da netinha de cinco anos. ''Mesmo ela tendo dentes de leite, cuido muito bem. Não quero que ela sofra o que eu sofri.''
Fumante por vários anos, o autônomo João Costa Neto teve alguns dentes da frente quebrados há cinco anos. Na época, passava por um período financeiro complicado e as falhas na boca só pioraram a situação. ''Não conversava direito, a alimentação estava ruim e não conseguia trabalhar. A depressão só aumentou naquele período'', recorda. Sem condições de pagar por um tratamento, buscou ajuda no posto próximo a sua casa. ''Fiz canal, obturação e agora tenho próteses novas. Tudo melhorou e voltei a sorrir'', declara satisfeito. (M.T.)

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