Reconhecimento deve começar por vídeo
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sexta-feira, 09 de janeiro de 2004
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
Em um rápido encontro ontem à tarde, em Londrina, o delegado-chefe da 10 Subdivisão (SDP) da Polícia Civil do município, Jurandir Gonçalves André, recomendou ao delegado interino de Porecatu (85 km ao norte de Londrina), José Vitor Pinhão, que o menino Diego Lopes Oliveira, 10, irmão da menina sequestrada Luana, 8, seja submetido ao processo de reconhecimento do suspeito, primeiramente, pelas fitas de vídeo e fotos do suposto sequestrador, Adriano da Silva, 25.
Silva foi preso pela polícia do Rio Grande do Sul na última terça-feira em Maximiliano de Almeida (351 km de Porto Alegre). Réu confesso do assassinato de 12 meninos com idades entre 8 e 13 anos, no interior gaúcho, ele era foragido da Justiça paranaense pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte) em União da Vitória e foi identificado por Diego, de forma não oficial, como provável autor do crime que abalou a pequena Prado Ferreira, na região de Londrina, há quase dois meses.
De acordo com o delegado-chefe da 10 SDP, a Civil do Paraná cogita encaminhar o garoto até a Região Metropolitana de Porto Alegre onde Silva está preso na Penitenciária de Segurança Máxima de Charqueada para que ele tente reconhecer o rapaz. ''Mas isso só será necessário se os procedimentos anteriores não forem suficientes'', esclareceu. No encontro com o delegado de Porecatu, continuou, ''ficou decidido em princípio que, ao invés de Londrina, Curitiba deve executar a tarefa, dada a maior proximidade com o outro Estado'', disse. André se refere ao Serviço de Investigação à Criança Desaparecida (Sicride), que também investiga o sequestro com equipes de apoio nas cidades próximas ao desaparecimento. Em dezembro, a delegada titular do Sicride, Márcia Tavares dos Santos, chegou a afirmar à Folha que o caso Luana era prioridade do órgão, que, criado em 1995, investiga atualmente o desaparecimento de outras 14 crianças em todo o Estado (12 delas antes de 95).
De Sananduva (350 km de Porto Alegre), o delegado que chefiou o interrogatório de mais de 12 horas a que Silva foi submetido, Celso Rigatti, afirmou ter pedido informações sobre o sequestro da menina à Delegacia de Florestópolis (73 km ao norte de Londrina). ''Entre outros dados, solicitamos em que circunstâncias ocorreu o crime, bem como se houve suspeitos até então'', disse. ''Isso pode tanto ilustrar o inquérito sobre o histórico do Adriano, como auxiliar a polícia em novos depoimentos dele'', ressaltou. Segundo o delegado Rigatti, a reconstituição das mortes confessadas por Silva deve começar hoje.


