Hoje deveria ser um dia de festa para o servidor público, mas na atual conjuntura isso é impraticável. As reclamações são muitas e o desânimo em relação ao futuro também. Salário baixo, condições de trabalho precárias, perda de conquistas, aumento na carga horária e demissões são os principais responsáveis por este quadro desalentador.
Para Marlene Valadão Godoy, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, o momento não é de comemoração. Em Londrina, a categoria está angustiada com a possibilidade de não receber o salário na próxima terça-feira. ‘‘A dúvida é um sentimento constante entre nós. Apesar disso, temos vários exemplos de pessoas que honram a profissão e não deixam a tristeza se refletir na qualidade do trabalho.’’
O presidente do Núcleo Regional da APP-Sindicato, Luiz Martins Lima, diz que a única motivação dos professores é a esperança de que a educação possa mudar o futuro. Sem reajuste salarial há cinco anos, a categoria cobra do governador Jaime Lerner o cumprimento do acordo que deu fim à greve que fizeram no final do primeiro semestre deste ano. ‘‘Ele está esperando passar o segundo turno das eleições para soltar nova bomba. Trata-se de um pacote de medidas altamente negativas’’. Segundo ele, a intenção do governo é aumentar em dez minutos a hora aula sem acréscimo de salário, redução de 30% no quadro de funcionários e inclusão do ensino especial nos estabelecimentos estaduais. ‘‘Estamos frustrados com a falta de apoio. Somos de carne e osso e não sobrevivemos só de elogios. A dedicação ao ensino é que nos dá certeza de um futuro melhor’’, opinou.
Após 63 dias de greve de poucos resultados, os funcionários públicos federais ainda tentam obter atenção para a pauta de reivindicações. Segundo José Roberto Mendes de Souza, um dos diretores do Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência e Ação Social do Estado do Paraná (Sindprevs-PR), a única esperança é a união dos partidos de oposição com repercussão nas eleições.