Silvana Leão
De Londrina
Apenas 20% da população de Londrina participa do serviço de coleta seletiva de lixo, implantado no município em novembro de 1996. Uma das causas da baixa participação é a usina de reciclagem, ainda não instalada. Mas os equipamentos foram adquiridos na administração passada por R$ 1,2 milhão.
O presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) de Londrina, Rubens Canizares, assumiu o cargo recentemente – no dia 9 de julho – e diz o órgão está trabalhando em um estudo de viabilidade da usina e procurando um local para instalá-la.
Canizares calcula que com a usina em funcionamento, 85% do lixo recolhido no município poderia ser reciclado ou transformado em adubo orgânico. Somente os 15% restantes iriam para o aterro sanitário. ‘‘Hoje estamos enterrando tudo isto e perdendo dinheiro’’, diz o presidente da AMA, lembrando ainda que a usina daria emprego para aproximadamente 300 pessoas.
De acordo com o projeto que vem sendo desenvolvido pela nova direção da autarquia, metade do material reciclável seria doada para associações, organizadas em cooperativas, e a outra metade seria vendida pelo próprio município para levantar recursos para manter a usina.
‘‘Trata-se de um projeto muito interessante, justamente por ser auto-sustentável’’, diz Canizares. Ele informa que pretende instalar a usina até o ínicio do ano que vem.
Atualmente, há em Londrina 35 Postos de Entrega Voluntária (PEVs) espalhados pelas regiões central, centro-sul, centro-oeste e parte da região oeste da cidade.
Os PEVs são grandes tambores contendo divisões para papel, metal, vidros e plástico, em diferentes cores, onde a população deposita espontaneamente estes materiais. Semanalmente os caminhões da AMA recolhem o material – uma média de 15 toneladas por mês.
Nas ruas, são coletadas cerca de 100 toneladas/mês de lixo já selecionado pela população. Mas a destinação deste material ainda deixa a desejar. Segundo o coordenador do Projeto de Coleta Seletiva de Lixo em Londrina, José Paulo da Silva, hoje o sistema funciona com uma cooperativa de trabalhadores na região oeste, a Cooperoeste, que recebe em torno de 25% do total coletado na cidade, e a Central de Triagem coordenada pela AMA, que recebe o restante. ‘‘A idéia, no futuro, é que existam 10 cooperativas.’’
O problema é que sem a usina de reciclagem e diante de dificuldades decorrentes das últimas mudanças na presidência da autarquia, o material reciclável selecionado na Central de Triagem está sendo armazenado, à espera da melhor destinação.
Também não há pessoal suficiente para trabalhar todo o material, segundo Silva. ‘‘Durante todo este tempo, mantivemos o serviço mais por insistência de nossa parte’’, admite o coordenador.
No País, a reciclagem de lixo, que poderia ser uma mina de recursos para os municípios e, de quebra, contribuir para a diminuição da poluição no planeta, ainda não é uma idéia levada a sério pela maioria dos prefeitos.
Alguns municípios, como Curitiba, Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), São José dos Campos e Campinas, ambos no estado de São Paulo, mantêm programas de coleta seletiva e inclusive com usinas instaladas, obtendo resultados positivos com o serviço. No Norte do Paraná, municípios como Cornélio Procópio e Arapongas chegaram a se destacar no passado com seus programas de reciclagem.
Mas o que se faz é muito pouco diante de um País que poderia, segundo cálculos do pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Sabetai Calderoni, no livro ‘‘Os Bilhões Perdidos no Lixo’’, estar ganhando pelo menos R$ 4,6 bilhões com o reaproveitamento de lixo.
E no cálculo de Calderoni nem está incluída a compostagem de material orgânico, que representa quase 65% do lixo produzido no Brasil, e poderia ser utilizado na fabricação de fertilizantes.
A maioria do material descartado pelas famílias e empresas ainda é jogado em lixões a céu aberto. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que em 1992 este índice era de 76%.
A reciclagem chega a soar como algo inatingível se levarmos em conta outro dado, desta vez fornecido pelo relatório ‘‘Brasil: Gestão dos Problemas da Poluição’’, publicado pelo Banco Mundial no início do ano passado: 40 mil toneladas diárias de lixo simplesmente não são coletadas.
Segundo a entidade Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), criada há sete anos para fornecer informações e incentivar a reciclagem, a coleta seletiva, em que a população separa o próprio lixo por tipo de material, é feita em pouco mais de 80 municípios brasileiros.Capitais como Curitiba fazem da reciclagem um hábito; tema já preocupa as pequenas localidades
Mário CesarREAPROVEITANDOFuncionários trabalham no Centro de Triagem de lixo da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), em Londrina; usina de reciclagem já dispõe de equipamentos e depende de estudos de viabilidade para ser instaladoDorico da SilvaMenina usa o Posto de Entrega Voluntária (PEV) para depositar lixo separado: 35 deles funcionam na cidade

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