Não há mais espaço nas casas dos integrantes da organização não-governamental Urna, no Conjunto Novo Amparo, na Zona Leste de Londrina, para guardar material reciclável. Os recicladores cobram apoio do poder público para alugar um barracão para separação e armanezagem do que é recolhido. Sem um espaço adequado, o grupo, que trabalha na região há seis anos, pode deixar de funcionar.
''São nove pessoas que trabalham diretamente com isso e podem perder a fonte de renda. Tem outros vizinhos que também querem trabalhar, mas não entram na ONG por falta de um espaço'', lamenta a presidente da Urna, Marta Andrade Ferreira, 37 anos. O grupo coleta perto de 450 sacos de lixo reciclável por dia e agora não tem mais onde guardá-los. A estimativa é que cerca de 1.200 embalagens repletas estejam armazenadas em seis casas da Rua Iraci Zuba de Oliva.
Dois desses imóveis foram alugados pela ONG, o que representa, junto com outras despesas, um custo mensal de R$ 250,00. Valor muito alto para quem consegue ''lucrar'' cerca de R$ 300,00 ao mês por família. Na tarde da última sexta-feira muito material ainda estava espalhado pelas calçadas.
''E a gente ainda tem de gastar para ir às reuniões na CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). Só que a gente chama faz tempo o pessoal da CMTU para vir aqui ver nossa situação e ninguém aparece'', comenta a integrante da ONG Léia Cristina Rodrigues de Araújo, 30.
O diretor de Operações da CMTU, Fábio Reali, garantiu que as visitas dos responsáveis pelo programa de coleta seletiva são periódicas nas ONGs. Disse também que o órgão pode viabilizar ''o aluguel ou a cessão de um barracão'' no bairro. Para isso, o ONG Urna precisa apenas comprovar que a documentação está em dia e ter a declaração de utilidade pública. ''O Idel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina) pode bancar o aluguel, mas é preciso prestar contas senão o convênio não é renovado'', alerta.
Reali acrescentou que 16 barracões serão construídos para as ONGs da cidade. O investimento será feito por meio de uma parceria com a Fundação Banco do Brasil, que está destinando R$ 800 mil para o projeto, e a administração municipal.

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