Noventa toneladas de lixo reciclável por dia poderão deixar de ser coletadas a partir de segunda-feira em Londrina. Os coletores associados à Central de Prensagem e Vendas (Cepeve) aprovaram ontem em assembléia uma greve por tempo indeterminado. Esgotada pelos baixos preços pagos pelo material coletado, a associação decidiu interromper as atividades e tentar fazer com que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) intermedie um empréstimo de, no mínimo, R$ 50 mil. Ontem à tarde, uma ONG de catadores da Zona Norte que não é filiada à Cepeve interrompeu o trânsito em uma das pistas da avenida Leste-Oeste (área central) por quase duas horas em protesto pelo mesmo motivo.
A presidente da Associação, Sandra Araújo Barroso Silva, justificou a greve ''pela queda violenta no preço do material''. Um exemplo: o quilo do plástico de garrafa pet, que há menos de um ano era comercializado por até R$ 1,20, hoje não ultrapassa os R$ 0,20. Essa depreciação trouxe impacto direto aos rendimentos das 18 ONGs de recicladores ligadas à Cepeve e à própria Associação, que sobrevive de uma comissão de 3% a 5% paga pelos associados. Três funcionários da Cepeve que operavam as prensas foram dispensados por causa disso e não há recursos para compra dos insumos utilizados na fase de preparação do material que vai ser comercializado. ''No início da semana já paramos de receber material. Queremos deixar claro que precisamos da população mas não temos mais condições de continuar a coleta'', lamentou Sandra.
A saída, segundo a presidente da Cepeve, é paralisar as operações de coleta e tentar buscar um empréstimo bancário de R$ 50 mil. Para isso, ela solicitou a ajuda da CMTU para intermediar a negociação. A Associação foi criada em 2001 e chegou a ter quase 400 coletores associados. Com a queda nos preços, e renda, quase cem pessoas já abandonaram a atividade.
Enquanto a Cepeve votava pela greve, ontem à tarde, pelo menos 10 catadores vinculados à ONG ''Reciclar Para Sa© úde'' interromperam o trânsito em um quarteirão da pista sentido centro-bairro da avenida Leste-Oeste (área central) com sacos de lixo e peruas. A Polícia Militar teve que desviar o tráfego para a rua Chuí. ''Como recicladores, estamos cobrindo a frente de trabalho da CMTU. Portanto, exigimos carteira assinada, INSS e salário justo'', reinvidicaram num panfleto escrito à mão.
Um dos coletores, Odair Rodrigues, disse ainda que por causa da queda nos preços, os trabalhadores não conseguem faturar mais do que R$ 130,00 por mês. ''Tem muito material sendo vendido e o preço foi lá para baixo'', apontou. Por isso, os recicladores estariam precisando do apoio da Prefeitura para continuarem exercendo a atividade. Rodrigues prometeu que os protestos vão continuar na próxima segunda-feira e adiantou que será assim até que os trabalhadores consigam ajuda. Os coletores ameaçaram, inclusive, fechar o trânsito na área do Terminal Urbano.
A CMTU não atua diretamente no esquema de coleta feito pelas ONGs, que têm autonomia para trabalhar. Ela apenas fornece os sacos plásticos que são distribuídos às casas e realiza o transporte do material reciclado da sede das ONGs ao local de venda.

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