Reciclagem organiza catadores de papel
Lucinéia Parra
De Maringá
Vinte e cinco famílias de baixa renda que fazem parte da Cooperativa de Catadores de Papéis de Maringá apostam num futuro melhor e colhem os primeiros resultados positivos de um trabalho idealizada pela Comissão Central de Serviços da Arquidiocese de Maringá. A cooperativa funciona desde junho deste ano, mas as dificuldades para conseguir apoio financeiro junto à sociedade, vem atrasando algumas etapas do projeto inicial, cujo objetivos são o incentivo à cidadania e a preservação do meio ambiente.
Com renda familiar de até três salários mínimos, os cooperados 23 mulheres e dois homens desenvolvem um trabalho quase voluntário. A maioria realiza várias atividades dentro da cooperativa e recebe muito pouco por um dia inteiro de serviço. Mas não reclama e aposta no sucesso da cooperativa, que tem o apoio técnico da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Ainda estamos começando e todo começo é difícil, diz a costureira Eneusa de Carvalho Magalhães, 46 anos. Desempregada há mais de dois anos, Eneusa ficou sabendo da cooperativa por uma amiga que participa dos trabalhos desenvolvidos pela Arquidiocese. Eu não conseguia emprego de jeito nenhum por causa da minha idade, por isso resolvi apostar nesse projeto. Desde junho ela costura os sacos usados pelos catadores de papéis, ajuda na limpeza do galpão onde funciona a cooperativa e ainda recolhe o lixo reciclável das vizinhas. Ganhou até hoje depois de quase quatro meses apenas R$ 80,00. Este pouco que eu recebi até agora já ajudou em casa.
Maria Salete Ramos dos Santos, 37 anos, também é cooperada desde junho e fica na cooperativa das 8 horas às 17 horas. Ela faz a triagem do lixo, ajuda na limpeza do galpão e também na costura dos sacos. Como Eneusa, ela também recebeu nesses quase quatro meses cerca de R$ 80,00. O marido dela, José Souza Santos, 40 anos, é auxiliar de serviços gerais em uma escola pública e é voluntário na cooperativa. Ele aproveita o intervalo do almoço no serviço da escola para ir até a cooperativa, e volta novamente às 17 horas depois de encerrar o expediente no emprego. Santos é o responsável pela venda do lixo reciclável. Ele é considerado o gerente da cooperativa, mas não recebe nada pelo trabalho.
A remuneração baixa não afasta as pessoas que acompanharam os primeiros passos do projeto e nem impede que novos cooperados se cadastrem. É o caso, por exemplo, de Maria da Luz Carvalho, 40 anos. Ela cata papel na cidade há quatro anos e há menos de um mês se tornou cooperada. Agora só entrego papel aqui (na cooperativa), assegura. Quando não está nas ruas recolhendo lixo reciclável com o seu próprio carrinho de mão, Maria da Luz está separando o material na cooperativa.
Atualmente, Maria da Luz vive em clima de expectativa. É que ela conheceu o carrinho idealizado para os catadores da cooperativa que está sendo fabricado por uma empresa de Maringá. Os primeiros carrinhos estão sendo patrocinados pela Arquidiocese de Maringá. A idéia, de acordo com a diretoria da cooperativa, é que todos os catadores usem os carrinhos padronizados.
O modelo aprovado pela cooperativa é de ferro e muito mais leve do que os carrinhos feitos de madeira e usados pelos demais catadores. Os novos carrinhos deverão ser entregues pelo fabricante até o início do mês que vem. Por enquanto, por falta de mais patrocinadores, só estão sendo fabricados 10 unidades. Será que eu vou ter um carrinho desse?, indaga Maria da Luz.Projeto desenvolvido em Maringá dá atividade para famílias de baixa renda e transmite noções de cidadania
CENAS E PERSONAGENSMulheres separam material reciclável em barracão cedido pela prefeitura (acima, à esquerda); à direita, Maria da Luz experimenta carrinho projetado pela cooperativa; abaixo, à esquerda, carrinho normal usado por catador; à direita, professora Célia Tavares, da UEM; ao lado, Ivanete Lopes: Nenhuma tampinha de garrafa vai para a lata de lixo





