Reciclagem muda a vida dos antigos 'catadores'
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sábado, 03 de janeiro de 2009
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Centenas de famílias vivendo de forma mais digna. Setenta por cento do material reciclável produzido em Londrina efetivamente reciclado. Cento e dez toneladas de lixo por dia a menos no aterro sanitário do município. Os números, que evidenciam o saldo positivo da coleta seletiva da cidade, revelam também os benefícios do programa para o meio ambiente e na área social.
Criada em 1996, a coleta foi adequada ao formato atual em 2001, para cumprir um termo de compromisso e ajustamento firmado com o Ministério Público. O objetivo era retirar os ''garimpeiros'' que catavam lixo no aterro sanitário - na época conhecido como ''Lixão''. O modelo, baseado na organização em associações que recolhem, separam e comercializam o material reciclado com autonomia, resolveu a questão dos catadores e trouxe o benefício de reduzir a quantidade de lixo descartada no aterro.
Luis Carlos Proença, Enésio Pinheiro, Tereza Silveira da Silva, Edvaldo Diamantino da Silva e Orundina Carla Azevedo da Luz são algumas personagens dessa história. Com trajetórias parecidas, nos últimos oito anos, eles abandonaram a rotina de abrir sacos na rua ou garimpar no Lixão os materiais recicláveis descartados e a substituiram pelo programa de coleta seletiva, que lhes trouxe uma remuneração mais justa - resultante da eliminação dos atravessadores, também conhecidos como ''patrões''-, e o respeito dos moradores dos bairros onde trabalham.
''Eu faço a coleta seletiva em um banco. No dia combinado, entro, pego a sacaria e reponho os sacos vazios sem ninguém desconfiar ou me perguntar nada'', conta Edvaldo, 35 anos, que já sofreu muito preconceito no tempo em que catava papel na rua e garimpava no aterro sanitário. ''Quando fecharam o 'Lixão' e começaram a reciclagem, foi como se tivessem fechado uma porta e aberto outra muito maior'', comparou.
Tereza, de 35 anos, comemora a renda mensal de aproximadamente R$ 1 mil resultante do trabalho dela, do marido e de um dos filhos na reciclagem. ''Hoje em dia, tenho orgulho da minha profissão'', conta a recicladora que já conseguiu pagar cursos profissionalizantes para os filhos com a renda gerada pelos materiais descartados pela população de Londrina. ''Quero que eles estudem para terem um trabalho menos pesado'', planeja.
Há 18 anos trabalhando com reciclagem, Enésio, 43, começou a recolher papel na rua depois de sofrer um acidente de trabalho que lhe tirou uma mão, na propriedade rural em que trabalhava. Graças ao programa de coleta seletiva, atualmente ele e a mulher conseguem uma renda mensal de pouco mais de R$ 1 mil. A deficiência física que compromote os movimentos em uma das mãos não impede que Luis Carlos, 31, maneje com destreza o carrinho para recolher o material reciclável em casas, prédios e empresas de Londrina.
Orundina, 31, passou parte da vida recolhendo materiais recicláveis no Lixão para revender em ferros velhos. Da época, sente falta apenas de levar para casa os alimentos ainda em condição de consumo descartados pelos supermercados. ''A reciclagem é muito melhor. Consigo comprar roupas e sapatos para os meus filhos. Além disso, as pessoas me respeitam'', conta ela.


