Reciclagem enfrenta crise
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de junho de 2011
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
Motivo de orgulho para os londrinenses em função de prêmios recebidos na área de sustentabilidade ao longo da última década, a coleta seletiva de Londrina vive dias de crise. Irregularidade no recolhimento do material reciclável nas residências, oferta insuficiente de sacos plásticos, bairros descobertos pelo serviço, recicladores endividados, boatos de terceirização e, mais recentemente, o acúmulo de ''montanhas'' de sacos cheios de recicláveis nas chamadas bandeiras - pontos localizados em praças e ruas - são só algumas das reclamações. Os problemas foram confirmados pela reportagem da FOLHA que, durante a semana, visitou bairros onde a coleta está prejudicada e acompanhou parte da rotina dos recicladores.
As dificuldades para realização do trabalho são vivenciadas principalmente pelos associados da Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Resíduos Sólidos de Londrina (Coocepeve), que deveria atender 50% da cidade. Mais antiga central de reciclagem, a cooperativa enfrenta problemas para se adequar às normas impostas pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), principalmente no que diz respeito à adequação do espaço. Como consequência, os convênios que garantiam pagamento do aluguel dos barracões e oferta de sacos plásticos foram suspensos, prejudicando a coleta.
O presidente da CMTU, André Nadai, reafirmou que o objetivo da administração pública é que os recicladores se encarreguem do gerenciamento completo, cuidando do recolhimento, transbordo, separação e comercialização. Ele disse que pretende se reunir, na próxima semana, com representantes da Coocepeve para tentar formalizar um contrato, mas para isso a antiga ONG terá que estar com a documentação em dia e em condições de assumir o serviço. ''Em último caso, poderemos estudar a transferência do serviço para a Coopersil ou até tercerizar, desde que não haja custo para o município.'' Ele negou que a Central de Tratamento de Resíduos esteja operando com capacidade ocupada acima do previsto.
Para a professora-doutora Sandra Márcia da Silva, da área de saneamento da UEL, independentemente dos motivos, a crise pode causar um prejuízo difícil de recuperar. ''Conquistar a adesão dos moradores de Londrina à separação do lixo foi difícil, mas desmoralizar o serviço é fácil.''


