Cambé - Preservar o meio ambiente, praticar atividade física e cultivar amizades. Junte essas três ações num único projeto e verá mais de 700 mulheres motivadas a participar. É o que vem acontecendo em Cambé (13 km a oeste de Londrina), há cerca de sete anos, desde que a ''Integração Comunitária'' foi implantada no município.
A iniciativa surgiu quando uma professora começou a dar aulas de ginástica voluntariamente em um bairro da cidade, e logo foi incorporada pela Associação de Proteção à Maternidade e Infância (APMI) de Cambé, entidade vinculada à prefeitura. Hoje, há turmas espalhadas por quase todos os bairros da cidade.
Nos chamados Centros de Convivência, mulheres com idade a partir de 18 anos têm aulas gratuitas de ginástica localizada, alongamento, relaxamento e condicionamento físico, duas vezes por semana. Para custear parte do material utilizado, elas recolhem e vendem material reciclável.
Embora atenda um grande número de pessoas que não teria dinheiro para pagar uma academia, o projeto não tem restrição econômica. ''A gente não visa a questão da renda, mas a qualidade de vida e a integração nos bairros'', afirma a professora Vânia Vanessa Pinheiro Nunes, que dá aulas para nove turmas na cidade.
Uma delas é a do Jardim Santo Antônio. Conhecido como um dos grupos mais animados do projeto, ele reúne 36 mulheres que já adquiriram camisetas, colchonetes e até um aparelho de som com dinheiro da reciclagem e de eventos beneficentes. ''Isso aqui é tão maravilhoso que, em cinco anos participando, acho que nunca tive uma falta'', deslumbra-se a doméstica Jandira Manente Gomede, 54 anos.
A frequência, aliás, é uma das exigências do projeto. Com três faltas consecutivas e injustificadas, a aluna é cortada do programa. E não falta gente de olho nas vagas. ''Tem bairro onde existe até fila de espera'', observa Vânia. Ela destaca que, apesar da estrutura simples, as aulas são dadas por profissionais com formação universitária, alguns pós-graduados, e não deixam nada a dever às academias particulares.
Parte do material reciclável arrecadado pelas alunas é empregado na confecção de materiais de ginástica, como pesos feitos de garrafas pet com areia. ''Estamos batalhando também umas tornozeleiras feitas com retalhos de jeans e brim'', conta a professora. Como as aulas se realizam nos Centros de Convivência, o único custo do programa é o pagamento de professores.
Para o presidente das associações de moradores dos bairros Santo Antônio, Vila Guarani e Jardim Dona Catarina, Celso Escarabel, o projeto está prestando um grande serviço ao meio ambiente. ''É um trabalho que precisa ser divulgado. Elas elas estão fazendo um bem para a saúde delas e, com a reciclagem, fazendo bem para o mundo.''

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