‘‘Educação ambiental da população, projeto compatível com a cidade e uma decisão política e administrativa são fundamentais para uma bom programa de coleta seletiva de lixo urbano.’’ Esta é a opinião do professor Nicolau Obladen, pesquisador do Instituto de Saneamento Ambiental da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), responsável pela instalação de programas modelo em cidadades do Estado, como Cascavel e Toledo. Obladen esteve em Londrina ontem como conferencista no 2º Congresso Paranaense do Ambiente Construído (Copac), que se iniciou anteontem e termina hoje.
A educação da população, segundo ele, demanda tempo e envolvimento de vários órgãos como escolas e clubes de serviço. É preciso, como afirma, definir primeiro o que se vai separar, porque não existe processo para a reciclagem de todos os materiais que vão para o lixo e, consequentemente, mercado para eles. Há aproveitamento para alumínio, ferro, papel, papelão, sete tipos de plásticos (entre eles polietileno, polietileno de alta e de baixa densidade, PET - embalagens de refrigerante), embalagens longa vida (desse material é retirado papel, papelão e plástico). Até mesmo para o lixo hospitalar há possibilidades de se fazer coleta seletiva especial.
As usinas de reciclagem e compostagem utilizadas em alguns locais, como a de Cornélio Procópio e a que seria instalada pela Prefeitura de Londrina com o equipamento comprado há alguns anos, não são adequadas, segundo o pesquisador. O sistema não permite separar a matéria e o produto que sai dela é de péssima qualidade podendo até poluir ainda mais o ambiente. ‘‘É preferível e mais seguro então, a instalação de aterros sanitários’’, opina.
Obladen descreveu experiências nas quais as pessoas transformam lixo em utilidades e ganham dinheiro, como óleo de fritura usado na fabricação de combustível. O pesquisador citou ainda casos em que o lixo pode virar até peças de roupas. ‘‘Quatro garrafas PET mais 33% de viscose transformam-se em blusas de moleton’’, exemplificou.
O custo da instalação de uma central de processamento e transferência, de acordo com o pesquisador, é elevado se comparado aos aterros sanitários. Mas o benefício ao meio ambiente e à sociedade compensam o investimento. O custo pode até se igualar com o aproveitamento adequado dos materiais. ‘‘O benefício ambiental e sempre um alto negócio’’, concluiu Obladen.

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