A destinação do lodo - resíduo sólido que resulta do tratamento do esgoto - é um problema que deve ser solucionado em todo o mundo. Hoje, no Paraná, a maior parte desse material é depositado em aterros sanitários próximos das estações mas, no futuro, essas áreas serão insuficientes. ‘‘Não é incomum, no Brasil, o lodo ser devolvido novamente aos rios por não haver mais onde armazená-lo’’, alerta o professor do Departamento de Solos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Cléverson Andreoli.
Andreoli é o coordenador no Brasil do Projeto Interdisciplinar de Pesquisa em Reciclagem Agrícola do Lodo de Esgoto, desenvolvido em conjunto com a Sanepar e outras instituições. O objetivo é reciclar o lodo e transformá-lo em fertilizante orgânico de boa qualidade. Produtores agrícolas do Paraná - principalmente da Grande Curitiba e das regiões de Londrina, Maringá, Guarapuava, Foz do Iguaçu e Paranavaí - estão usando o adubo produzido, projeto-piloto desenvolvido em parceria com a Emater.
Esse tipo de reciclagem, explica Andreoli, é a alternativa mais viável economicamente para o Estado e também a mais adequada sob o aspecto ambiental. ‘‘O Estado tem grandes áreas agrícolas ocupadas com culturas que aceitam o uso do fertilizante, como milho, feijão e diversas frutas’’, diz. Andreoli estima que cerca de 850 toneladas de matéria seca são produzidas por mês em 60 municípios do Estado com o tratamento de esgoto.
Para usar o adubo proveniente do lodo, entretanto, é preciso solucionar dois problemas básicos: conseguir material com baixo teor de metais e de agentes patogênicos, que podem causar doenças. Outra solução seria a incineração do material, tecnologia cara e que requer o uso de outras para evitar a poluição atmosférica.

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