Reciclagem de lixo enfrenta problemas
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domingo, 22 de abril de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
A cada dia, 15 novas residências aderem ao sistema de coleta seletiva do lixo em Londrina. Ao mesmo tempo, o setor responsável pelo serviço, na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), recebe em média 30 reclamações diárias sobre a atuação dos catadores. Atrasos e ausência de coletas são as prncipais queixas. ''O trabalho aumentou, principalmente pela adesão dos condomínios'', justifica o responsável pelo programa de reciclagem na CMTU, José Paulo da Silva.
Segundo a presidente da Central de Prensagem e Vendas de Londrina (Cepeve), Sandra Araújo Barroso Silva, a quantidade de material reciclável coletado diariamente em Londrina cresceu 40% nos últimos meses. ''Isso é bom, mas acabou gerando um problema de estrutura. As ongs não têm pessoal nem espaço para dar conta de tanto material''. Segundo informa, entre as 21 organizações filiadas à Cepeve, a maioria está com dificuldades em manter o mesmo ritmo de serviço, daí as reclamações.
A situação parece ter causado desentendimentos entre organizações, Cepeve e CMTU. ''Parece ter um racha sim, entre a Cepeve e a CMTU, porque nós temos que continuar prestando o serviço com qualidade e a prefeitura pode nos ajudar, pois a economia feita com a coleta seletiva deveria ser transformada em benefícios às ongs'', afirma Sandra. Já Silva diz que os desentendimentos não são somente entre a central e o governo. ''Cada ong tem um perfil e nem entre elas há coesão. Há as que permanecem com a Cepeve, há as que não seguem a Central. O que a prefeitura não tem condições é de administrar a organização interna dessas entidades''.
Ele defende que, independentemente das desavenças, o serviço de coleta seletiva não entrará em colapso. ''Algumas pessoas têm afirmado isso, mas novas licitações para caminhões estão sendo feitas, há projetos de barracões, então não acredito que esse colapso aconteça''. A líder da Cepeve, entretanto, já parece ver a situação com mais reserva. ''Nós já tínhamos avisado a CMTU que isso iria acontecer, mas não fomos ouvidos. Já tínhamos falado que nossa estrutura não daria conta''.
À parte da relação entre prefeitura e Cepeve, o Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma) marcou para hoje, às 14h30, uma reunião com o presidente da CMTU, Mauro Yamamoto, para discutir a questão. ''O material coletado realmente aumentou e as ongs dizem que falta estrutura e que estão sem suporte. Queremos então, ouvir a CMTU para saber o que está sendo feito'', afirma o presidente do Consemma, Fernando de Barros.
Segundo revela, a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e o Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae) também tentaram contribuir, principalmente porque perceberam o potencial econômico no setor. ''Mas os próprios recicladores brecaram o planejamento que estava sendo feito, então agora temos que ver como manter a coleta funcionando e o benefício ao meio ambiente''.
A reunião entre Consemma e CMTU será realizada na sede da companhia. Às 16 horas, outra reunião será realizada, na Promotoria de Meio Ambiente. Segundo Barros, Acil e Sebrae apresentarão os projetos para ajudar as ongs de reciclagem à promotora Solange Vicentin.


