Curitiba - Os municípios paranaenses estão longe de atingir um bom índice de coleta seletiva. A observação também é generalizada para as cidades brasileiras, onde cada habitante produz cerca de um quilo de lixo diariamente, mas apenas 2,8 quilos de lixo reciclável por pessoa são recuperados ao ano.
O levantamento é do Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos/2006, feito pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), divulgado pelo Ministério das Cidades.
Os números das maiores cidades paranaenses mostram que existe um longo caminho a ser percorrido. Londrina, com um dos melhores índices do País, tinha uma taxa de recuperação de recicláveis em relação ao total de 20,4%. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Gerson da Silva, o índice atualmente chega a 23%, mas o município já tem capacidade para chegar a 45,5%. Cascavel apresentou um índice de 0,9% e Maringá teve 1,7% na mesma categoria.
Curitiba não teve o dado divulgado no levantamento oficial, mas deve ter uma taxa de 22%, segundo a gerente de Limpeza Pública da Prefeitura, Gisele Martins dos Anjos. De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto, a Capital apresenta hoje um índice de desperdício de cerca de 13%, mas espera atingir 85% com a nova planta de tratamento que está em processo de licitação.
Cascavel não apresentou os dados referentes à coleta seletiva de resíduos sólidos, justificando que não existe uma pesagem do material. Curitiba entregou os dados da empresa contratada pela prefeitura, totalizando cerca de 13 mil toneladas anuais de coleta.
De acordo com Gisele, o município não informou a quantidade total coletada com participação dos catadores por não ter um número oficial. Hoje o número chega a 15 mil toneladas anuais, cerca de 44 toneladas diárias recolhidas pelos caminhões do ''Lixo que não é lixo''. Os carrinheiros coletam mais 500 toneladas diariamente.
Londrina, que não tem programa oficial de coleta seletiva, formou uma parceria com organizações não-governamentais (ONG) de catadores, hoje cerca de 500, que atingem 80% da população. O número oficial apresentado em 2006 era de 29 mil toneladas anuais de material reciclável coletado, mas o secretário Gerson acredita que total já chega às 100 mil toneladas.
O levantamento mostra que entre os principais materiais coletados nas cidades brasileiras estão papel e papelão (44,3%), plásticos (27,6%) e metais (15,3%).
Com relação às despesas de coleta de resíduos domiciliares e públicos, Curitiba gastou quatro vezes mais do que a segunda maior cidade paranaense, Londrina. No diagnóstico 2006, a Capital divulgou um total de mais R$ 39 milhões ao ano gastos. Londrina teve pouco menos que R$ 8 milhões destinados a essas despesas. Mas Silva acredita que a soma das despesas com a empresa responsável pela coleta geral com o que é gasto com a parceria com as ONGs já ultrapassa os R$ 10 milhões anuais. Cascavel e Maringá gastaram R$ 4,4 milhões e R$ 5,5 milhões, respectivamente.
Para o secretário Gerson da Silva, o modelo encontrado por Londrina é bom, mas ainda requer ajustes. ''Temos dificuldade com a organização das ONGs com que trabalhamos. Existem muitos atravessadores e há disparidade entre a estrutura e ganhos dos grupos. Mas o que por muito tempo foi um problema para a cidade, agora é oportunidade de negócios para muitos'', explica.
Já a Capital aposta suas fichas na nova planta de tratamento, que deve ser inaugurada na metade do próximo ano. Para Gisele, a estrutura irá representar uma mudança no olhar sobre o lixo. ''Até pouco tempo, pensava-se apenas em como enterrar o lixo produzido em uma cidade. Agora a prioridade é reduzir a produção e reaproveitar o máximo possível''.
Dados imprecisos
Para Gisele Martins dos Anjos, o diagnótico eleborado pelo governo federal é impreciso em vários pontos por tentar uniformizar informações que não são iguais. ''Cada município tem a sua particularidade e muitas vezes o questionário não permite aprofundar os dados. Às vezes Fica difícil enquadrar nossos dados por serem um pouco diferente do que o questionário quer. Para não divulgar informações imprecisas ou erradas, a recomendação é não responder'', explica.
O diagnóstico do SNIS obteve informações de 247 municípios, que concentram quase 50% da população brasileira. O Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos/2006 pode ser encontrado no site do Ministério das Cidades.

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