Uma manifestação que durou cerca de meia hora foi o suficiente para causar tumulto, ontem pela manhã, no Centro de Londrina. Cerca de 80 pessoas, representantes de 20 Organizações Não Governamentais (ONGs) responsáveis pela reciclagem de lixo na cidade, fecharam o cruzamento das ruas Juscelino Kubitscheck e Professor João Cândido, em frente a Companhia Municipal de Trânsito de Urbanismo (CMTU), reivindicando melhorias nas condições de trabalho.
Muitos motoristas se irritaram com a manifestação e começaram um buzinaço para que as vias fossem liberadas.
Como os manifestantes não saíam, alguns motoristas cruzaram o canteiro central, em frente ao cemitério São Pedro, no sentido contrário e conseguiram sair do congestionamento. A situação ficou perigosa quando dois motociclistas, irritados, furaram o bloqueio em alta velocidade, arriscando a vida dos manifestantes, que revoltados, tentaram atingi-los. Gritos e vaias aumentaram o barulho e a tensão no trânsito.
Logo após o início da manifestação, o diretor de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti, chegou ao local e pediu que as ruas fossem liberadas. O pedido foi atendido sob protesto dos manifestantes.
O objetivo da manifestação era chamar a atenção de representantes da CMTU para os problemas enfrentados pelas Ongs. Apesar disso, ninguém do grupo, liderado Central de Pesagem e Vendas (Cepeve), conversou com representantes da CMTU. ''Queremos apenas demonstrar nossa insatisfação. Eles ganham mérito com nosso trabalho, mas não querem discutir nossos problemas'', acusou a presidente da Cepeve, Sandra Araújo Barbosa Silva.
Entre as reivindicações, estão assistência para os recicladores, capas de chuva, carrinhos para a coleta, divisão melhor dos bairros para cada grupo e cursos de capacitação para melhorar o trabalho.
O presidente da CMTU, Gabriel Ribeiro de Campos, rebateu as críticas. Ele afirmou que a prefeitura vem atendendo muitas reivindicações e que sete funcionários da Companhia trabalham orientando as Ongs. ''A prefeitura também paga, através da Codel (Companhia de Desenvolvimento de Londrina) o equivalente a R$ 400 de aluguel dos barracões e já tem projetos encaminhados para melhorar o trabalho dos recicladores''.
Entre os projetos está a reivindicação de uma verba de R$ 800 mil junto à Fundação Banco do Brasil, para a construção de 20 barracões. ''O processo está adiantado e acredito que até o final do ano, conseguiremos um apoio. Não sabemos de quanto, mas já vai ajudar''.
''Todo o dinheiro que chega para o programa, é revertido para o próprio programa'', declarou Campos.
Sobre a divisão dos bairros, Campos afirmou que a distribuição é equilibrada, mas que muitas Ongs vão se formando a partir de uma, por isso, a disparidade. ''É também um trabalho de conquista dos moradores, de incentivo para que a maior parte de lixo possível seja separado e repassado para eles''.
O presidente da CMTU disse ontem, no fim da tarde, que agendou para hoje uma reunião com a presidente da Cepeve para receber formalmente as solicitações das ONGs.

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