Para reduzir gastos, a Cooper Refum desligou a esteira, dispensou um contador e deixará de alugar um barracão
Para reduzir gastos, a Cooper Refum desligou a esteira, dispensou um contador e deixará de alugar um barracão | Foto: Gina Mardones



O sistema de coleta seletiva em Londrina, que já foi considerado referência no País e chegou a ser premiado, hoje tenta se restabelecer. Em 2009, o serviço entrou em crise e, mesmo após a criação das cooperativas, os recicladores se queixam de não terem conseguido retomar o trabalho com a mesma força do início. Em 2016, segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), foram comercializadas 13.236 toneladas de material reciclado, o que dá uma média de 1,1 mil toneladas mensais.

Atualmente, uma das maiores queixas dos trabalhadores da reciclagem é em relação ao valor pago pela CMTU aos recicladores. No último dia 5 de dezembro, as cooperativas assinaram um aditivo contratual com validade de 60 dias, mas antes tiveram de negociar os valores repassados pelo município às cooperativas referentes aos domicílios visitados. O valor caiu de R$ 1,78 para R$ 1 por domicílio.

"Temos 18 mil domicílios na nossa área, nas zonas leste e norte, o que garante R$ 18 mil de repasse pela CMTU mais o INSS, que é recolhido pela cooperativa e só depois é devolvido pela companhia. Com a mudança no valor do contrato, o repasse caiu mais de R$ 14 mil", disse a presidente da Cooper Refum, Selma Maria de Assis.

A Cooper Refum passa por sérias dificuldades financeiras. Para reduzir os gastos com energia elétrica, a cooperativa desligou a esteira e a triagem do material voltou a ser feita na mesa. Apenas a máquina de quebrar vidro e as duas prensas estão operando. O contador, que era funcionário da cooperativa, também foi dispensado e dos três barracões alugados, um será devolvido ao locador. "Vamos tentar alugar um outro com valor mais baixo."

Mesmo com as medidas de economia, a Cooper Refum não sabe como vai fazer para saldar as dívidas que passam de R$ 200 mil. Só os custos para manutenção dos barracões, calcula Selma, somam R$ 56 mil. "O valor dos materiais caiu muito e, com isso, a nossa renda também. Nossa produção hoje rende R$ 17 mil, mas só a nossa folha de pagamento fica em R$ 21 mil", disse. "A prefeitura criou as cooperativas, mas em vez de ir para a frente, estamos indo para trás."
Mesmo na Cooper Região, responsável pela coleta em 84.996 domicílios de Londrina, a situação não está tranquila. "Tivemos de fazer algumas mudanças. Reduzimos o pessoal da coleta nas ruas e aumentamos o número de pessoas na triagem para não cair nossa produção. Nossa despesa é grande. Temos 184 cooperados e a média de salário é de R$ 1,3 mil. E agora estamos com três barracões porque o outro que tínhamos incendiou", comentou o presidente da cooperativa, Zaqueo Vieira. A Cooper Região comercializa 450 toneladas mensais de material reciclável.



MEIO TERMO
O presidente da CMTU, Moacir Sgarioni, disse que um novo contrato deverá ser assinado até 5 de fevereiro, quando vence o atual, e os valores repassados pela CMTU por domicílio visitado devem ser revistos. "Tenho que partir do princípio de que se estava certo (o valor de R$ 1,78) antes, eles estão se sacrificando por R$ 1. Ou estava errado antes ou está errado agora. Então a gente está buscando um meio termo, ouvindo os recicladores e vamos fazer um esforço para remunerá-los dentro de uma média que eles sugeriram. Isso já está mais ou menos alinhado." Os recicladores reivindicam o repasse de pelo menos R$ 1,40 por domicílio.

O presidente da CMTU também afirmou que quer ter a possibilidade de negociar os contratos de aluguel dos barracões. "A CMTU paga o aluguel, mas não é ela que negocia o valor. Nós queremos ter a liberdade de discutir o preço dos alugueis. Se não conseguir negociar, a gente muda de barracão." Hoje, o município investe R$ 6 milhões ao ano na manutenção do serviço de coleta seletiva.

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