Cambé - Um protesto de recicladores causou transtorno aos motoristas que trafegavam na manhã de ontem pela PR-445, próximo à divisa com Londrina. Os manifestantes impediram o tráfego na pista e na marginal da rodovia estadual colocando como barreiras vários sacos de material reciclável. A manifestação aconteceu das 8 às 9 horas e provocou dois quilômetros de congestionamento. O motivo foi o prazo um impasse entre a prefeitura de Cambé e a Cooperativa Regional de Coleta Seletiva e Reciclagem da Região Metropolitana de Londrina (Cooprelon).
Os recicladores reivindicaram uma prorrogação no prazo de uma semana determinado pela Prefeitura de Cambé para que a Cooprelon faça adequações em um barracão, localizado no Jardim Silvino. ''Alugamos esse barracão em Cambé porque não conseguimos encontrar nenhum outro com essa metragem em Londrina. Estamos trabalhando sem alvará e a Prefeitura de Cambé pediu uma série de adequações até a próxima sexta-feira. Precisamos de, pelo menos, 30 dias para retirar todo o material acumulado no barracão'', reivindicou Odair Rodrigues, membro do Conselho Fiscal da Cooprelon.
O presidente da cooperativa não participou da manifestação e afirmou ser contra o protesto. ''Acho que esse tipo de problema se resolve com conversa. O protesto acaba causando transtornos desnecessários e não ajuda em nada'', afirmou Maurício Montezini. Conforme dados repassados por ele, a Cooprelon possui 150 cooperados, sendo 35 de Cambé, e coleta material reciclado de aproximadamente 80 mil imóveis de Londrina.
Segundo Montezini, o barracão de dois mil metros quadrados utilizado pela Cooprelon necessita uma série de adequações e a cooperativa não tem condições de executá-la. ''A prefeitura de Cambé exige reformas, uso de extintores de incêndio, aplicação de inseticida para evitar a proliferação de insetos, entre outros pedidos. Somente depois de cumpri-las é que teríamos o alvará de funcionamento, mas não temos recursos para isso'', argumentou.
Ele disse que ia tentar agendar reuniões com representantes da prefeitura para pedir um prazo de 30 dias. ''Estamos negociando com uma imobiliária o aluguel de um barracão de cinco mil metros quadrados no Parque das Indústrias Leves, em Londrina. Estamos agilizando a entrega dos documentos para a formalização do contrato. Precisamos destes 30 dias para fechar o negócio e ter tempo para transportar até Londrina as cerca de 60 toneladas de material que estão no barracão de Cambé'', alegou Marquesini.
De acordo com ele, o novo barracão será alugado por R$ 20 mil mensais. ''Esse valor já foi aprovado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina. Agora só faltam os trâmites burocráticos'', destacou.
A assessoria de imprensa da CMTU disse que o órgão repassa um valor mensal às coorperativas de reciclagem e delega a elas as negociações com aluguel e outros gastos. A assessoria não soube informar o valor que é repassado à Cooprelon.

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