Cerca de 15 recicladores de lixo estão sendo transferidos pela administração da Escola Oficina (zona norte) para barracões de organizações não-governamentais (ONGs) de bairros da região. Uma ala da escola, que estava sendo utilizada por familiares de crianças e adolescentes atendidos pela instituição, foi desocupada sexta-feira. A limpeza do local, no entanto, deverá ser feita pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), de acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social.
O destino de oito dos recicladores é a ONG Reciclando Cidadania, que atua no Conjunto Maria Cecília. Os outros seriam encaminhados para associações nos jardins João Turquino e São Jorge, onde moram as famílias. A assessoria de imprensa da prefeitura informou que o município vai disponibilizar um galpão de 300 metros quadrados no final da Avenida Saul Elkind para a Reciclando Cicadania. Também destacou que a transferência se deve à incompatibilidade da atividade com a Escola Oficina, que atende crianças em situação de risco e que agora passou a ser administrada pelo município.
A mudança faz parte do projeto pedagógico da nova diretoria que assumiu a Escola Oficina, mantida anteriormente pela Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon). Segundo a coordenadora da instituição, Nanci Fátima Camargo Fener, serão oferecidas oficinas de capoeira expressiva, dança de rua, olericultura, economia doméstica e artesanato com tecido. A escola possui 120 inscritos, mas somente 70, em média, frequentavam com assiduidade. O atendimento das oficinas, que foi suspenso por uma semana para reorganização, será retomado segunda-feira. As aulas, no entanto, não foram paralisadas.
Na semana passada, os alunos, descontentes com as modificações, teriam passado a fazer atos de vandalismo. Ontem, a reportagem presenciou um dos alunos quebrando vidro da janela de um dos galpões e desrespeitando os integrantes da nova diretoria. Para a secretária municipal de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti, o clima no local não é tenso. ''Não dá para avaliar se os estragos foram feitos antes ou depois (da mudança da diretoria). É normal que (os adolescentes) estejam testando a nova equipe. É da natureza do adolescente'', avaliou.
Para o educador social Nildemir Valinho de Paula, 52 anos, a transição com maior participação dos funcionários da Acalon poderia evitar a maior parte dos problemas. Muitos dos antigos educadores já foram dispensados. Funcionário da Escola Oficina há dez anos e cinco meses, Nildemir disse que os atos de indisciplina eram raros anteriormente. ''Não havia desrespeito'', declarou.
Segundo o primeiro secretário da Acalon, Márcio Filla, a entidade sempre esteve à disposição para auxiliar na transição. Já a secretária Maria Luiza, disse que o problema não é a gradualidade. ''Se entrasse um funcionário novo, ele seria testado pelos alunos'', destacou.

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