Sem renda fixa, a recicladora Bernadete Rodrigues Souza não teve outra alternativa senão viver ilegalmente no assentamento Santa Fé (Zona Leste), há sete anos. ''Não tinha dinheiro para o aluguel, mas não podia viver na rua com meu filho, então resolvi invadir uma área na beira do rio'', lembra.
Quando chovia, ela e o filho subiam na cama para se proteger da enxurrada de lama: ''Foi aí que decidi comprar um terreno longe do rio. Paguei R$ 600 em 12 prestações de R$ 50 por mês'', conta a recicladora, que sofreu para terminar de pagar o terreno. ''Então a Cohab começou a fazer casas de madeira no bairro e com a ajuda do meu filho construí a nossa casa.''
Ainda hoje ela vive na mesma residência, de dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área, com piso ''vermelhão''. ''Perto de onde eu morava antes, a minha casa é exemplar'', avalia a recicladora, que é a única a ter rede de esgoto na invasão, onde paga água e luz.
''Medo de perder tudo a gente tem, mas é um meio de sobreviver'', conclui Bernadete, que vive com a esperança de ser contemplada pela Cohab. ''Eu sei que como eu tem quem compra casa de madeira por R$ 2 mil, R$ 3 mil. Tem também quem compra só para negociar. Compra por R$ 1 mil para vender por R$ 1,5 mil.'' (M.G.)

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