Recicladora de chumbo garante que não vai poluir
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quarta-feira, 21 de junho de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Representantes da indústria de reclicagem de chumbo que pretende se instalar na Serra do Cadeado, em Mauá da Serra (51 km ao sul de Apucarana), rebateram ontem as acusações de que a atividade deverá poluir afluentes do Rio Tibagi, conforme denúncias feitas na terça-feira, na Câmara de Vereadores de Londrina, por uma ONG de ambientalistas e por um representante dos proprietários de chácaras da região. Os empreeendedores garantiram que a empresa está seguindo todas as exigências feitas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e pela legislação ambiental.
A advogada, Vanya Senegalia Spagolla, e o engenheiro responsável pelo Plano de Controle Ambiental, Mauro Maggi, representantes das empreendedoras Neiva Maria Kesler e Isabel Aparecida Barreto , garantiram que a foto que foi divulgada para os vereadores e imprensa mostrando o início das obras da indústria antes do licenciamento não condiz com a verdade. ''Queremos acreditar que isso não foi feito de má fé'', comentou a advogada, completando que a propriedade da indústria de reciclagem fica na estrada da Gleba Aurora e dista mais de um quilômetro do local fotografado. Os empreendedores ainda não definiram se vão ingressar com alguma medida legal contra a ONG.
Vanya e o engenheiro asseguraram que a metalúrgica tem ciência de sua responsabilidade sócio-ambiental e se preocupa com o desenvolvimento sustentável que equilibra progresso econômico em harmonia com a preservação do meio ambiente. Tanto é assim que vai atuar justamente na reciclagem do chumbo de batéria. ''As baterias, hoje, são os maiores poluentes do meio ambiente e eles vão fazer justamente a reciclagem disso'', observou Vanya. Antes de adquirir a propriedade, segundo a advogada, as empresárias teriam consultado o IAP para definir se o local seria apropriado para a atividade.
Para evitar a poluição de corpos de água, segundo o engenheiro, a indústria deverá utilizar a tecnologia chamada de circuito fechado (a água utilizada não sai da propriedade). A poluição atmosférica, continuou Maggi, será controlada por filtros. Com isso, a emissão de gases seria até menor do que exige a legislação. Já os resíduos sólidos gerados no processo de produção serão armazenados em um galpão e depois encaminhados para uma indústria em Curitiba. Após o início das atividades, a indústria terá capacidade para produzir mensalmente 300 toneladas de lingote de chumbo, 36 toneladas de plástico e mais 15,57 toneladas de pó de chumbo.
O presidente da ONG dos Movimentos Populares Nacional e Internacional do Brasil (ONG-Mopnib), Jurandir Rosa, admitiu que pode ter cometido um engano ao afirmar que a obra da foto seria da metalúrgica mas adiantou que as manifestações contrárias à instalação da indústria vão continuar, inclusive a coleta de assinatura num abaixo-assinado e a passeata agendada para julho. A obra que aparece na imagem é de uma indústrica carbonífera, que também não conta com a simpatia da ONG. O proprietário dessa empresa, Paulo Luiz Stocco, explicou que já tem o licenciamento prévio e que segue todas as determinações exigidas pelo IAP.
Uma equipe do IAP de Ivaiporã, onde corre o processo de licenciamento da indústria recicladora de baterias, foi até a propriedade. Mas, o chefe-regional Maurício Frederico, informou que só poderia falar hoje sobre o assunto.


