Os centros municipais de educação infantil (CMEIs) e as creches filantrópicas de Londrina entram em recesso na próxima sexta-feira, dia 18. Já preocupados com o destino dos filhos, pais ou responsáveis que precisam trabalhar durante o mês de janeiro procuram por parentes e amigos que possam ficar com as crianças no período. No entanto, nem todos conseguem conciliar o emprego e o recesso escolar. A diarista Patrícia Deluski mora há pouco tempo na cidade e não conhece ninguém que possa cuidar da filha Anieri, de 5 anos. Sem alternativas, ela pretende parar de trabalhar até a volta às aulas. "Eu morava em Mato Grosso. Por lá, os parentes sempre me ajudavam. Aqui é complicado. Vou ter que parar por um tempo. Esse dinheiro vai fazer falta no começo do ano", lamentou Patrícia.
O metalúrgico Jeferson Thomas de Rezende terá férias coletivas na empresa. "Depois disso, ela fica com a minha sogra. A gente tem que se acostumar com o calendário", disse, ao lado da filha Alice, de 3 anos. Já Helen Cassia Garcia, mãe de outra Alice, de apenas 1 ano, trabalha em um escritório e está preocupada com o período de férias. "Ainda não sei o que fazer. Eu não tenho com quem deixar. Estarei de folga até o início de janeiro, mas depois ou eu vou procurar uma colônia de férias ou vou ter que pagar alguém para ficar com ela. Esse período é sempre complicado. Os pais procuram a creche justamente porque precisam trabalhar", argumentou.
Em Campo Mourão (Centro-Oeste), a Secretaria Municipal de Educação encontrou uma alternativa para os pais. Três centros municipais de educação infantil, um em cada região da cidade, funcionarão em regime de plantão durante as férias. De acordo com a chefe da Divisão de Educação Infantil da Secretaria, Marina Pelissari de Souza, os pais beneficiados precisam respeitar critérios estabelecidos pelo município. Das 3,6 mil crianças atendidas na rede, 191 devem frequentar os CMEIs durante as férias. "Nós encaminhamos um bilhete aos pais para que os que possuem interesse no atendimento tragam uma declaração do patrão com o horário da jornada de trabalho. A secretaria faz a contagem dos pedidos quando não há parentes ou conhecidos que possam ficar com as crianças. A partir daí, a equipe analisa quantos CMEIs ficarão abertos", explicou. A medida é adotada há, aproximadamente, 10 anos, sempre nos meses de janeiro e julho.
O município faz um remanejamento de servidores e mantém o expediente dos profissionais que foram contratados há menos de um ano e que ainda não têm férias vencidas. "Depois de organizar os plantões, informamos ao Ministério Público. Isso tem dado muito certo por aqui", comemorou Marina. "Os pais são conscientizados sobre a importância do convívio familiar durante o recesso, mas nem todos têm essa possibilidade de cuidar dos filhos em período integral. Ainda assim, a gente percebe que, a cada ano, diminui o número de crianças no plantão", completou. Durante o recesso, apenas atividades lúdicas e brincadeiras fazem parte da rotina dos alunos.
Em Londrina, as creches funcionarão normalmente até o dia 18 de dezembro. Após essa data, as mais de 9 mil crianças serão dispensadas. A gerente de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação, Ludmila Dimitrovicht, destacou que o calendário possui 200 dias letivos com atividades pedagógicas e que as férias são importantes para o descanso das crianças. "É importante a criança fazer essa pausa, ficar em casa. Elas ficam até dez horas e meia por dia em período integral nas creches. Apenas o atendimento na faixa etária dos 6 anos é em período parcial. Elas sentem o cansaço tanto quanto os adultos e não podem permanecer nas unidades 365 dias por ano", defendeu.
Conforme Ludmila, o calendário escolar é divulgado no início do ano letivo para que os pais tenham conhecimento e possam se organizar ao longo do ano. Segundo ela, não há relatos junto a Secretaria Municipal de Educação de pais ou responsáveis que não encontram alternativas durante o período de recesso escolar. "Entendemos a realidade social e entendemos que as pessoas precisam trabalhar, mas o contato com a família também é primordial. As crianças precisam de um vínculo maior com os pais e isso precisa ser estimulado. O professor não substitui os pais mesmo executando os trabalhos da melhor forma possível", justificou a gerente.
A mãe do Jhordan, de 8 anos, e da Isabella, de 2 anos, só conseguiu encontrar uma saída com a ajuda da proprietária do salão de beleza em que ela trabalha. "Vou levar os dois comigo. Isso acaba atrapalhando um pouco na hora de atender as clientes, mas não tenho parentes aqui. Acho que as creches poderiam fazer uma escala para alguns funcionários trabalharem nesse período", lamentou Cristina Yanes. O atendimento às crianças será retomado no final de janeiro.

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