Receptadores de hidrômetros podem estar no Paraguai
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sábado, 25 de agosto de 2001
Emerson Dias<BR>Enviado a Ciudad del Este 
A polícia brasileira está investigando supostos receptadores de hidrômetros, também conhecidos como ''relógios d'água'', no Paraguai. As suspeitas que levaram à investigação foram levantadas com a prisão de duas pessoas transportando seis aparelhos. Os acusados disseram que os hidrômetros seriam entregues no outro lado da Ponte da Amizade.
Empresários que trabalham com esse tipo de equipamento em Ciudad del Este desconhecem o possível comércio ilegal de hidrômetros roubados no país vizinho, mas admitem que as vendas são baixas.
Segundo técnicos da Sanepar, ao contrário do Brasil onde a instalação é feita exclusivamente pela empresa no Paraguai o equipamento precisa ser comprado em lojas de material hidráulicos, onde o preço é quase 70% superior (o mais simples custa R$ 54,00). ''Nunca ouvi falar de pessoas vendendo hidrômetros usados aqui. Mas a venda desses equipamentos sempre foi baixíssima'', disse o gerente de uma loja de compressores e equipamentos hidráulicos em Ciudad del Este, Ernaldo Klaus, destacando que não chega a vender um relógio por semana (a cidade é a segunda maior do Paraguai com cerca de 250 mil habitantes).
Em Foz, mesmo havendo uma redução no número de furtos e roubos durante os últimos dois meses (foram 39 em junho e 26 em julho deste ano), os índices são bem superiores à média registrada em todo o ano passado (25 hidrômetros/mês). Segundo informações da Sanepar de Foz, a cidade é a que mais registra este tipo de ocorrência em todo o Estado. Nos primeiros sete meses deste ano a empresa registrou 246 roubos do equipamento.
''Todas as denúncias de furtos e roubos são encaminhadas à Polícia Civil, onde fazemos boletins de ocorrência. Os prejuízos são grandes, tanto para a Sanepar quanto para o usuário'', disse a assessora de comunicação da empresa em Foz, Mônica Venson, lembrando que também foi vítima dos ''ladrões de relógios''. Em fevereiro deste ano, ela teve dois equipamentos roubados em menos de 20 dias.
O custo médio de um hidrômetro é de R$ 34,16 (alguns modelos chegam a custar R$ 57,00), sendo desembolsado pela vítima porque contrato de prestação de serviços responsabiliza o usuário pela guarda dos medidores. A reposição dos equipamentos gerou um prejuízo de quase R$ 10 mil para a empresa de saneamento.
O maior índice de ocorrências computado pela Sanepar foi em fevereiro deste ano (85 relógios roubados), mesmo mês em que Arilson Ferreira Rocha, 30 anos, e Richard Branco da Silva, 18, foram presos em flagrante. Os acusados disseram à polícia que entregariam os equipamentos roubados para um receptador em Ciudad del Este. Não foram citados nomes nem quanto dinheiro conseguiriam com os furtos. O delegado-chefe da 6Subdivisão Policial de Foz, Luiz Gilmar da Silva, comentou que já possui pistas sobre os receptadores, mas que é difícil realizar prisões no país vizinho, já que as leis paraguaias impedem ações da Polícia Civil em Ciudad del Este.


