Recém-nascido é deixado na rua
Sid Sauer
ilustração‘‘olhe eu estou deichando esta criança aqui porque o pai dela me deichou então resolvi deixar ela aqui para vocês ver se consegue alguem para cuidar. Ela nasceu dia 18 as quatro horas. tiau tiau tiau tiau tiau’’Uma criança recém-nascida, ainda suja de sangue e com a placenta, foi encontrada ontem às 4h30 da madrugada dentro de uma sacola de plástico numa rua no centro de Campina da Lagoa (100 km a sudoeste de Campo Mourão). O bebê foi achado por um vigilante noturno que passava pelo local e escutou o choro da criança. Assustado, ele acordou Rilda Rodrigues Lopes, que mora em frente ao local onde a criança foi abandonada. Ela, então, chamou a polícia, e a criança foi levada para o Hospital Nossa Senhora das Graças.
Junto com o bebê, a mãe deixou um bilhete, bem curto, dizendo que tinha sido abandonada pelo pai da criança e que estava deixando o filho para que outra pessoa pudesse criá-lo. O caso também foi enviado para o Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente, mas até ontem à tarde a polícia não tinha localizado a mãe do menino. O bebê, com 2,2 quilos, está na incubadora e, segundo o pediatra José Fausto Tolói, corre grande risco de contrair infecção nos próximos dois dias. As primeiras reações da criança foram boas.
‘‘Ele está mamando e isso é um bom sinal’’, frisa o médico. Ontem de manhã a criança tomou cerca de 15 mililítros de leite. De acordo com Tolói, o bebê não parece ser prematuro e, por isso, o peso de 2,2 quilos é considerado baixo. Esse foi um dos motivos que levou a criança para a incubadora. A principal razão para isso, no entanto, foi o estado de hipotermina (dificuldade de controle da temperatura) que o menino chegou ao hospital. ‘‘Ele teria morrido se tivesse amanhecido na rua’’, diz Tolói.
Quando chegou ao hospital, o bebê estava com uma temperatura de apenas 32 graus centígrados. ‘‘Ele estava todo roxo’’, ressalta o médico. Tolói diz ainda que se a criança não tivesse nascido bem, não choraria e não seria encontrada pelo guarda. ‘‘A sorte é que essa criança quer viver’’, destaca. Segundo ele, a mãe da criança também corre risco, embora menor, de infecção. Não se sabe onde a mãe fez o parto e nem se ela teve ajuda.

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