Encontra-se na UTI neonatal do Hospital Universitário (HU) de Londrina o bebê recém-nascido que foi abandonado em um bueiro no Jardim Jockei Clube, Zona Oeste da cidade, na tarde do último sábado. O hospital informou que até a tarde de domingo o quadro da criança era grave e inspirava cuidados.
A criança, uma menina, foi salva pelo manobrista Ênio Pereira da Silva quando ele levava seu cavalo para pastar em um terreno baldio em frente à sua residência. ''Eu já estava voltando para casa, por volta das 15h20 quando ouvi o choro da menina. No início achei até que fosse um filhote de cabrito que havia caído em algum buraco. Mas quando me aproximei e olhei dentro do bueiro, vi que se tratava de um bebê e entrei em pânico'', relata Silva.
Ele conta que tentou retirar a tampa do bueiro que fica no meio do terreno baldio, mas não conseguiu. ''A tampa de concreto é muito pesada. Então corri e chamei um vizinho para me ajudar. Quando retiramos a tampa, percebemos que a menina deve ter sido jogada por uma fresta de aproximadamente 30 centímetros no buraco que tem cerca de 2,5 metros de profundidade'', lembra Silva.
Emocionado, o manobrista disse que no momento do resgate a menina ainda estava suja de sangue e resto de placenta. ''Ela ainda tinha um pedaço do cordão umbilical e estava suja de sangue e resto de placenta. A boca dela estava suja de terra e havia um coágulo na cabeça, provavelmente por causa da queda no buraco'', afirma.
Após retirar a criança do bueiro, Silva a levou para a casa dele e ligou para o Siate. ''Eu queria dar banho nela, mas os médicos do Siate disseram que não era para fazer isso. Quando eles chegaram, fizeram um procedimento de limpeza no pulmão da menina e em seguida a levaram para o HU'', contou a esposa do manobrista, a zeladora Simone Cristina da Silva.
Pais de um menino de 4 meses, o casal diz que pretende adotar a menina logo que ela sair do hospital. ''Foi Deus quem me colocou no caminho dela para salvá-la. Queremos que ela faça parte da nossa família'', diz o manobrista. ''A menina é linda e estava esperta quando chegou aqui em casa. Ela nos olhava com os olhinhos brilhantes e parecia que estava nos agradecendo. Vamos procurar um advogado para dar entrada no processo de adoção. Queremos registrá-la com o nome de Vitória, pois ela mostrou que é uma vitoriosa lutando para se manter viva'', revela Simone.

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