Recém-nascida é raptada na Rua XV
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sexta-feira, 23 de outubro de 1998
James Alberti 
Uma menina de 14 dias foi roubada dos pais anteontem no calçadão da rua XV de Novembro, centro de Curitiba e, apesar de ter sido avisada, a polícia só se mobilizou para cuidar do caso quase 24 horas depois. A criança estava dentro de um carrinho quando foi raptada por uma mulher branca, de cabelos grisalhos loiros e aparentando 40 anos. A mãe da menina, Rosângela de Fátima Bernardes, 30 anos, disse ter tentado seguir a mulher, mas ela teria desaparecido na multidão.
Desesperados, Rosângela e o pai da criança, o catador de papelão Auriclóves de Oliveira, 23 anos, avisaram o plantão do 1º Distrito Policial e foram encaminhados à Delegacia de Vigilância e Capturas. Lá teriam sido orientados a esperar 24 horas para fazer a queixa. Conforme Oliveira, o policial teria argumentado que os pais tinham que esperar para ver se a criança não voltava.
Ontem o casal fez o registro do crime no Serviço de Crianças Desaparecidas (Sicride) do Paraná, responsável por investigar casos como este. Chorando, Oliveira não se conformava com o rapto. Eu confio em Deus, repetia ele, demonstrando que tem esperanças de rever a filha. A menina, que ainda não tinha sido registrada, iria receber o nome de Jéssica Oliveira. A gente não tinha registrado ainda porque estava pensando no nominho dela, explicou o catador de papel. A princípio, Rosângela não havia concordado com o nome.
O delegado Harry Herbert, do Sicride, disse que ainda não tem elementos para formar uma tese sobre o crime. Ele prentende investigar a hipótese de vingança, por vizinhos do casal, que vive em um depósito de papelão junto à Avenida das Torres. Outra possibilidade é de que a mulher que levou a criança tenha problemas psicológicos.
O que sustenta a suspeita é o fato de ela ter seguido o casal por cerca de três horas antes de levar a menina. Nós percebemos isso, confessou Rosângela. Segundo a catadora de papel, a mulher teria se oferecido para comprar uma peça de roupa para a menina em uma loja de R$ 1,99 e perguntado se a criança tinha madrinha.
Herbert afirmou já ter trabalhado em casos nos quais mulheres traumatizadas por não poder ter filhos roubam crianças. Pode ser uma doida qualquer que não consegue ter filhos, disse. O delegado não descarta, porém, a hipótese do rapto ter sido encomendado.


