Josoé de CarvalhoDrama cotidianoApresentação de teatro no Calçadão marcou Dia de Luta Contra a Violência Doméstica e SexistaO Instituto para Promoção da Cidadania entre Gêneros foi lançado, ontem, durante audiência pública na Câmara Municipal de Londrina, realizada para comemorar o Dia Latino-Americano e do Caribe de Luta Contra a Violência Doméstica e Sexista. Funcionando extra-oficialmente há três meses, a organização não-governamental (ONG) tem como objetivo desenvolver pesquisas, estudos, material teórico e projetos para embasar as ações da sociedade civil que visem a igualdade entre homens e mulheres.
A vereadora Elza Correia (sem partido), que participa da ONG, explica que a organização quer interferir nas escolas de 1º e 2º graus do município, injetando novas visões sobre a relação homem/mulher. ‘‘A reprodução da ideologia machista tem que ser interrompida. Precisamos acabar com estereótipos como o do homem ser criado para mandar.’
Uma das violências contra a mulher, lembrada por Elza Correia, é a desigualdade salarial. ‘‘A mulher vende sua força de trabalho mas ganha como se fosse complementadora do salário familiar. Trabalha igual ao homem e ganha salário menor. Só que 25% das mulheres brasileiras são chefes de família.’
Elza Correia diz que a ONG também poderá fazer um trabalho junto a empresas, capacitando técnicos que trabalhem com relações humanas. Segundo a vereadora, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou, em 1990, que o número de agressões contra o sexo feminino é três vezes maior do que contra os homens. ‘‘No Brasil, a cada quatro minutos uma mulher é agredida dentro de seu próprio lar, por pessoa com quem mantém uma relação de afeto’’, diz.
O Centro de Atendimento à Mulher de Londrina também promoveu ontem, no Calçadão, apresentações de coral, música e de teatro para marcar o Dia de Luta Contra a Violência à Mulher. Segundo Rosângela Cesar, assessora da Coordenadoria Especial da Mulher de Londrina, as atividades visam tentar conscientizar a população ‘‘de que violência não é normal’’. De janeiro a outubro deste ano, o Centro fez 387 atendimentos.

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