A Delegacia da Receita Estadual em Londrina deve enviar hoje uma equipe de fiscalização ao Frigorífico King Meat do Brasil, em Apucarana. Na última sexta-feira, após uma denúncia, a polícia de Londrina apreendeu 10 cavalos furtados, dentro de um caminhão, no interior do frigorífico. Foram presos o menor E.N.D, 17 anos, acusado de ser o autor dos furtos, e o receptador Nelson Alves da Silva, 26 anos. O motorista do caminhão, Heraldo Martins Lopes, foi indiciado e liberado.
Segundo o delegado regional da Receita, Carlos Gilberto Schafir, os fiscais irão conferir a documentação da empresa para ver se não há irregularidades. ‘‘O frigorífico pode ter sido uma vítima nesse caso, mas temos o dever de averiguar’’, explicou.
Ontem, a polícia terminou de identificar os proprietários e entregou os últimos animais apreendidos. Segundo o delegado do 3º Distrito Policial (DP) de Londrina Valdir Abrahão, a polícia começou a fazer um levantamento de todos os casos de equinos furtados na cidade e região. ‘‘ Não podemos descartar a possibilidade de ação de uma quadrilha especializada em furtar animais para abate’’, explicou.
‘‘O próprio Nelson (Alves da Silva) disse que não existe criação de cavalos para abate e afirmou que o frigorífico abate entre 200 e 300 animais por dia. De onde vêm tantos animais para suprir a demanda?’’, questionou o delegado.
A média de abates diários do frigorífico foi confirmada pelo veterinário Gérsio Luiz Bonesi, fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura e Abastecimento responsável pelo Selo de Inspeção Federal do frigorífico (SIF 55). De acordo com ele, o frigorífico tem capacidade para abater mais de 400 animais/dia. ‘‘Mas a demanda diária fica em torno dos 200 animais’’, disse.
De acordo com Bonesi, o frigorífico não tem um controle de origem dos animais. Segundo ele, a empresa compra animais de vendedores do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. ‘‘Se por acaso há algum furtado no meio, não há como saber’’, justificou.
Segundo o chefe do Núcleo da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) de Apucarana, o médico veterinário Luís Gustavo Pupio, a secretaria não tem como controlar a origem dos animais. De acordo com ele, o produtor não precisa apresentar nota fiscal para conseguiu uma Guia de Transporte Animal (GTA). ‘‘Ele só vai precisar apresentar a nota e a GTA em caso de fiscalização. Se não estiver com as duas, devidamente preenchidas, pode ter os animais e o veículo apreendidos, além de ser autuado’’, disse. Os equinos abatidos são exportados para o Japão e países da União Européia.

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