O delegado da Polícia Civil de Londrina, Márcio Vinícius Ferreira Amaro, entregou na última sexta-feira à Receita Federal a relação de nomes dos 11 locatários de cofres roubados no banco Banespa, no dia 9 de janeiro. A Receita Federal deve investigar a origem dos bens declarados pelos proprietários dos cofres. No assalto, foram roubados 26 cofres, mas somente 11 pessoas registraram queixa na polícia. Os donos de cofres que procuraram a polícia declararam um prejuízo de cerca de R$ 1 milhão, entre dólares e jóias. Alegando sigilo bancário, a direção do Banespa não informou os nomes dos demais locatários.
Segundo o delegado Amaro, a quadrilha, que ao que tudo indica é de São Paulo, esqueceu um telefone celular na agência. ‘‘Já solicitamos judicialmente da operadora o nome do proprietário do aparelho’’, afirmou o delegado. Amaro informou que 90% das ligações registradas no telefone são de São Paulo. As outras são do Rio de Janeiro, mas, de acordo com o policial, existe também uma ligação feita de Londrina. ‘‘O telefonema foi feito de um telefone celular pré-pago, o que dificulta chegar ao autor’’, explicou Amaro.
Vários cheques também estão sendo descontados em São Paulo, disse o delegado Amaro. ‘‘Estamos requerendo as cópias microfilmadas dos cheques, nos bancos onde eles foram compensados. Esperamos assim chegar aos favorecidos.’’ A perua Renault Traffic usada pelos ladrões já foi devolvida ao comerciante Silvano Macedo, de São Paulo.
A maior dificuldade da polícia na elucidação do caso é a falta de estrutura. ‘‘Não temos condições de ir até São Paulo, o que retarda as investigações’’, declarou o delegado. Ainda de acordo com Amaro, não existem indícios de participação de funcionários do banco no assalto, mas todas as hipóteses são consideradas. ‘‘Desde o faxineiro até o funcionário mais graduado, todos são suspeitos’’, afirmou.
O delegado Márcio Amaro disse que tem conhecimento de boatos que dizem que uma parte dos cofres teria sido usada para guardar dinheiro proveniente do esquema Ama-Comurb. ‘‘Sabemos que corre esse boato na cidade e consideramos essa possiblidade. Isso pode ou não se confirmar’’, declarou.
O delegado também informou que, pelos depoimentos do gerente do Banespa, Roberto Mello, e de alguns funcionários, cinco assaltantes estiveram no interior do banco. ‘‘Ao todo devem ter participado de 10 a 15 pessoas’’, disse Amaro. A quadrilha invadiu a casa do gerente e rendeu a família na noite do dia 9 de janeiro, onde permaneceu até amanhecer. No dia 10, às 7 horas, o gerente foi obrigado a ir até ao banco e entregar a relação com os nomes dos locatários dos cofres. A esposa do gerente, levada por outros assaltantes da quadrilha, foi deixada nos arredores da cidade.
O delegado substituto da Receita Federal, Guataçara Nasser, disse apenas que o órgão tomará providências. ‘‘Não posso entrar em detalhes sobre nossa ação, pois estaria ferindo o sigilo fiscal’’, afirmou. Quanto aos proprietários de cofres que não prestaram queixa o delegado disse que espera pelas medidas que devem ser tomadas pela Polícia Civil.

mockup